sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Fator Sorte

Por Guilherme

Você se considera uma pessoa de sorte? E se você se considerar um azarado, acredita que essa condição é permanente, e que não há nada que você possa fazer para mudar sua sorte? Bom, qualquer que seja o seu caso, vale a pena dar uma olhada em O Fator Sorte: mude sua sorte, mude sua vida (Record, 2003), do psicólogo inglês Richard Wiseman. Já falamos sobre o trabalho de Wiseman aqui no blog e, como ocorre com os seus livros anteriores, O Fator Sorte está embasado em pesquisas desenvolvidas pelo próprio autor ao longo de vários anos.
            De acordo com o psicólogo, ter sorte ou azar, em alguns casos, depende das atitudes da própria pessoa, e é possível desenvolver determinadas habilidades que podem aumentar a sorte de alguém. Para isso, Wiseman criou os quatro “princípios da sorte” que, se bem entendidos e empregados, podem aumentar as oportunidades para que encontremos a boa sorte em diversas áreas de nossa vida.
            O primeiro princípio, “aumente suas oportunidades de sorte”, diz respeito a mantermos uma rede grande de contatos para ampliar a possibilidade de conhecermos, de maneira direta ou indireta, alguém que possa nos conduzir a uma nova oportunidade profissional, por exemplo. Dentro desse mesmo princípio, Wiseman sugere desenvolver uma atitude tranquila em relação à vida, e abrir-se a novas experiências durante a vida.
            O segundo princípio de Wiseman é “ouça os seus pressentimentos de boa sorte” e, como o próprio termo sugere, é recomendável ouvirmos nossos pressentimentos e instintos. Wiseman diz que podemos aperfeiçoar nossa intuição através da observação das pessoas e de certos padrões nelas e nas situações cotidianas.
            O princípio três é chamado “conte com boa sorte”. Pessoas de sorte esperam que sua boa sorte continue no futuro. Além disso, elas tentam realizar seus objetivos, ainda que suas chances de sucesso pareçam pequenas, e seguem em frente em caso de fracasso. Sortudos também esperam que suas interações com outras pessoas sejam boas e bem sucedidas.
            O último princípio, “transforme seu azar em boa sorte”, é, na minha opinião, o mais interessante de todos. Segundo Wiseman, pessoas de sorte veem o lado positivo do azar, e aproveitam os infortúnios como alavancas para a boa sorte. Assim, elas tomam atitudes construtivas para evitar mais má sorte no futuro.
            O Fator Sorte pode parecer um apanhado de ideias baseadas no senso comum. No entanto, a sustentação científica do trabalho de Wiseman garante que o livro não seja mais um no estilo “auto-ajuda”. As notas do final do livro servem para o leitor verificar as fontes originais dos dados apresentados pelo autor, e são úteis para quem quer fazer uma pesquisa mais extensa sobre determinado aspecto da psicologia da sorte. Como todas as outras obras de Wiseman, O Fator Sorte é leitura obrigatória para fãs de livros com temas de psicologia.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Indústrias de diploma

Por Guilherme

No post anterior, discutimos o baixo Índice de Desenvolvimento Humano de nosso país. Se considerarmos o palavrório de nossos últimos governos, vivemos além do Primeiro Mundo. Se olharmos para a realidade brasileira, refletida no IDH, perceberemos como os governos têm mentido para nós.
      A trágica situação educacional brasileira fará com que nosso IDH dificilmente se altere significativamente nos próximos anos. Apesar disso, o governo precisa fazer algo para dizer que está realmente preocupado em melhorar a educação brasileira. Há alguns anos, a ideia foi ampliar o Ensino Superior, permitindo a abertura de novas faculdades e universidades em todo o país. A ideia foi ótima para empresários que estavam pensando em como ganhar mais dinheiro, mas péssima para o Brasil. Inúmeras instituições foram criadas, e inúmeras pessoas ingressaram no ensino superior, geralmente pagando menos do que em instituições mais tradicionais. O custo social de tudo isso foi que a qualidade do ensino despencou. Não é raro encontrar salas lotadas, mal estruturadas, desorganização nas salas de aula e na secretaria, alunos que ingressam sem prestar vestibular, e alunos semi-analfabetos que são aprovados nas disciplinas de seus cursos, e acabam obtendo o diploma. São as famosas "indústrias do diploma". Não há como desenvolver um país desse jeito.
      Para entender melhor essa questão, leia o artigo de Walter Hupsel no Yahoo. Delinquência Acadêmica é o título do texto. E é o que o governo e os "investidores" da educação têm praticado em nosso país há muito tempo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Copa América do Desenvolvimento Humano

Por Guilherme

O Yahoo publicou uma reportagem muito interessante, na qual compara o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países que disputam a Copa América. O IDH reflete as condições educacionais e sociais de um país. "Surpreendentemente", o Brasil ocupa a sétima posição nesse ranking (considerando somente os países que disputam a Copa América, repito), atrás de gigantes como o Peru, Costa Rica e México. A Venezuela e o Equador estão só um pouco atrás do Brasil.
      Isso é motivo de preocupação? Claro que não! Teremos a Copa do Mundo em 2014, e a Olimpíada em 2016! Alguém precisa de mais alguma coisa? Viva o Brasil!
Para ler a reportagem no Yahoo, clique aqui.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Fé em Deus e Pé na Tábua

Por Guilherme

Largar tudo, pegar um carro e sair por aí sem um destino definido é uma das maiores aventuras que alguém pode fazer. Com uma Kombi velha, a aventura pode ser maior ainda. E foi com uma delas que Donald e seu amigo Paul percorreram o interior dos Estados Unidos por três meses, em uma experiência cujo objetivo era tentar viver a vida de uma maneira diferente da tradicional, sem ter que chegar e sair do emprego em uma hora definida, e sem ter que dar maiores satisfações a quem quer que seja.
O trajeto foi iniciado no Texas, onde Donald morava. A Kombi era de seu amigo Paul e, como todo bom carro velho, ela seguidamente apresentava problemas. Ao invés de atrapalhar a viagem, esse foi considerado um aspecto que engrandeceu a experiência dos dois. Aliás, foram várias as situações que tornaram a viagem de Donald e Paul uma experiência incrível. Não é qualquer um que pode caminhar pelo Grand Canyon, atravessar o deserto de Nevada e passar por Las Vegas, ver as grandes cidades do Texas à noite e acampar em fazendas no Oregon em apenas três meses.
A descrição dos locais da viagem, assim como as reflexões sobre a experiência, está em Fé em Deus e Pé na Tábua: descobrindo a essência da vida em uma Kombi (Thomas Nelson Brasil, 2007), de Donald Miller. Cristão devoto, Miller usa seus conhecimentos e interpretações religiosas para tentar entender o que viveu durante a viagem. Independentemente de concordarmos ou não com o autor nesse sentido, é inegável que o tipo de aventura vivida por Miller é daquelas que mudam nossa vida para sempre.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais de "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas"

Por Guilherme

Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas, de Robert Pirsig, tem sido um dos livros mais citados em nosso blog. E há uma boa razão para isso, pois poucos romances contemporâneos conseguem englobar a variedade de assuntos filosóficos contida na obra dele. Algumas de suas ideias são muito discutíveis, como o papel do método científico na pesquisa moderna, criticado pelo autor. Mas os conteúdos humanistas são extraordinários, como quando Pirsig fala sobre a rigidez de nossos valores:


"Qualquer exemplo de conserto de motos serviria, mas o exemplo mais notável de rigidez moral de que me lembro é a velha armadilha para macacos da Índia Meridional, que depende da rigidez moral para funcionar adequadamente. A armadilha consiste numa casca de coco, acorrentada a uma estaca. Dentro do coco há um pouco de arroz, que pode ser alcançado através de um buraco grande o suficiente para permitir a passagem da mão do macaco, mas pequeno o bastante para impedir que o animal consiga retirar do coco o punho fechado que contém o arroz. O macaco enfia a mão e, de repente, fica preso - apenas pela sua rigidez de valores. Não consegue reavaliar o arroz. Não percebe que a liberdade sem arroz é mais valiosa do que o cativeiro com ele. Os aldeões se aproximam para levá-lo... Eles estão cada vez mais próximos... Chegaram! Que conselho geral - não específico, mas geral - você daria ao pobre macaco nessas circunstâncias?
      Bem, creio que você talvez dissesse exatamente o que já citei sobre a rigidez de valores, mas provavelmente com um pouco mais de pressa. Esse macaco deveria estar a par do fato de que, se abrir a mão, ficará livre. Mas como é que vai descobrir isso? Eliminando a rigidez moral, que coloca o arroz acima da liberdade. E como fará isso? Tentando pensar com calma, deliberadamente, voltando sobre seus próprios passos e avaliando se as coisas que ele considerou importantes eram realmente importantes; deve afrouxar a mão e olhar para o coco por alguns instantes. Logo ele vai vislumbrar um pequeno fato, querendo entrar em cena. Deve tentar compreender esse fato não em termos do grande problema, mas em termos do fato em si. Pode ser que o problema não seja tão grande assim, e que o fato também não seja tão pequeno. São essas as informações gerais que você poderia dar ao animal."

Em nossa vida encontramos muitas situações semelhantes à mencionada por Pirsig. O grande desafio, penso, é conseguir encontrar um ponto de equilíbrio em tudo o que fazemos. Não podemos flexibilizar nossos valores tanto, a ponto de perdê-los, mas também não podemos avaliar todas as coisas de modo rígido e inflexível. Encontrar esse equilíbrio equivaleria a tirar a mão de dentro do coco com um pouco de arroz entre os dedos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O Livro da Minha Vida (4)

Por Marcos Fernando Kirst*

Vários foram os livros que me marcaram ao longo de minha decana trajetória de leitor. O mais recente a ter me causado aquela sensação rara de prazer de degustar algo sublime foi “Se um Viajante numa Noite de Inverno”, do italiano Ítalo Calvino (1923 – 1985). Nesse romance, Calvino transforma o próprio leitor em personagem principal da narrativa, ao longo da qual vai debatendo temas concernentes ao universo da leitura e dos livros. A intertextualidade é a tônica da obra, em que acompanhamos as agruras do personagem que deseja evitar cruzar a tentadora linha que separa o simples leitor do fazedor de literatura, bem como os dilemas que assolam a dupla formada pelo escritor produtivo e o escritor atormentado, vizinhos que se monitoram um ao outro durante a produção de suas obras.
Tudo isso conduzido com o gênio narrativo de Calvino, que nos apresenta aqui o ápice de seu estilo erudito e irônico, sem ser pedante. Na verdade, descobri em “Se um Viajante...” a profundidade do humor com que Calvino trabalha seus livros, todos eles eminentemente alegóricos. Li o livro em 2003 e, a partir dali, mergulhei em uma caça sistemática a toda a obra do autor publicada no Brasil (que é vasta, mas ainda não completa) e devorei tudo. Ler Calvino é um prazer imenso, e consta em meus planos futuros empreender uma releitura geral.

*Marcos Fernando Kirst é jornalista e escritor. Foi o patrono da Feira do Livro de Caxias do Sul de 2010. Informações sobre suas obras, e os textos que Marcos escreve semanalmente para diversos jornais e revistas, podem ser acessados em seu blog Futilidades Literais.

domingo, 3 de julho de 2011

Blog da Companhia das Letras

Por Guilherme

O blog da Editora Companhia das Letras oferece aos leitores uma grande variedade de assuntos: resenhas de livros, informações sobre lançamentos, textos de escritores que publicam pela Editora e entrevistas. Em uma das seções do blog é possível ver uma lista das obras que serão lançadas nos próximos meses. Para quem aprecia os bons livros publicados pela Editora, e espera pelos próximos, a visita ao blog é parada obrigatória.