terça-feira, 13 de março de 2012

Notícias sobre a educação no Brasil

Por Guilherme

Apesar de nosso blog ter como foco principal a literatura, temas educacionais não podem ficar muito tempo fora do Página Virada. Na minha família, somos todos professores: pai, mãe, irmã e eu. Por isso, raramente ficamos algum dia sem discutir a situação das escolas e das políticas educacionais em nosso país.
Abaixo, disponibilizo o link para algumas notícias que me chamaram atenção nos últimos dias. É recomendável ler e refletir sobre o que acontece em nossas escolas e em nossa sociedade. Não se pode melhorar um país sem discutir aquilo que é a base da mudança, a formação de seus cidadãos.

Comentário: Certamente há algo de muito errado com alguém que se dá ao trabalho de falsificar um diploma para ser professor.

Comentário: Clássico exemplo de como os números às vezes não refletem a realidade. Penso que 58% é um valor subestimado, e quem conhece um pouco da dinâmica das escolas e de como o aprendizado ocorre nelas sabe disso.

Comentário: No Brasil, o poste urina no cachorro. Incapaz de lutar pelo barateamento dos livros, resta ao governo liberar as cópias.

Comentário: triste realidade a nossa. Famílias sem nenhuma autoridade, que se isentam da educação dos filhos e os mandam para a escola porque não os querem em casa. Em pouco tempo, creio ser mais interessante construirmos creches para adolescentes do que propriamente escolas.

sexta-feira, 9 de março de 2012

As Ideias de Darwin (3): "Vocação: Rebelde"

Por Guilherme

Você tem irmãos ou irmãs? Se a resposta for positiva, há duas outras questões a considerar: Você é o filho mais velho, ou o filho mais novo da família? É o mais conservador ou o mais rebelde?
      Muitos pesquisadores têm elaborado teorias a respeito da diferença de personalidade entre membros da mesma família. Tipo de criação, experiências na infância, herança genética, todos esses aspectos já foram usados para explicar porque pessoas próximas, como irmãos, podem ser tão distintas  quando se considera o seu comportamento.
        Usando os trabalhos de Darwin sobre seleção natural, e de cientistas modernos sobre competição por recursos e investimento parental, o historiador da ciência Frank Sulloway surgiu com uma ideia intrigante: a diferença de personalidade entre irmãos pode ser explicada pela ordem do nascimento.
      Para entender melhor a questão, vamos pensar um pouco sobre uma família de animais não-humanos, e cães selvagens podem fornecer um bom exemplo. Imagine que você seja um filhote da primeira ninhada de sua mãe, e com você nasceram dois ou três irmãos. Você tem toda a atenção de sua mãe, recebe muitos recursos alimentares, é protegido, tem um bom espaço para viver, tem todos os privilégios possíveis de um primogênito. Então, alguns meses após o seu nascimento, sua mãe tem outra ninhada. A coisa complicou para você, pois todo o tratamento VIP recebido vai para seus irmãos mais novos, e isso é fácil de entender: você já está grande, pode conseguir alimento por conta própria, pode se defender e viver muito bem sem o auxílio de sua mãe. A prioridade de recursos deve ser dos filhotes recém nascidos, pois estão mais vulneráveis e precisam de proteção e atenção da mãe. Como cães não costumam reclamar, a vida em matilha segue em frente.
      Sulloway utilizou-se do princípio da competição pelo uso de recursos para elaborar sua teoria sobre a diferença de personalidade. O que está descrito acima, com cães selvagens, vale também para nós, humanos. Por acaso, você nunca viu uma criança fazer birra porque entende que seu irmão recebeu um presente melhor, ou foi beneficiado em algo?
      Um filho primogênito, de acordo com Sulloway, tende a ser mais conservador, pois defende seu status quo de privilegiado. Desse modo, seu pensamento está mais alinhado ao de seus pais, e “mudança” é uma palavra não muito agradável para ele. Por outro lado, o caçula tem que lutar para mudar a dinâmica familiar, conseguindo recursos que antes eram dispensados para seu irmão mais velho. Consequentemente, filhos mais novos têm uma maior tendência à rebeldia e à busca por mudanças.
      A parte mais interessante da história é que a rebeldia e o conservadorismo dos irmãos não se restringem ao ambiente familiar. Frequentemente, pessoas que iniciaram grandes revoluções, como Darwin e Copérnico, e outros pensadores, como Voltaire, são os filhos mais novos da família. Filhos mais velhos, em contraste, tendem a manter posições políticas menos radicais, e a lutar pela manutenção da estrutura social.
      O trabalho de Frank Sulloway sobre a relação entre ordem de nascimento e personalidade está em Vocação: Rebelde (Record, 2000). O livro tem muitas passagens curiosas e instigantes, apesar de algumas partes (especialmente a seção onde o autor descreve os dados) serem um pouco maçantes. Mesmo assim, a leitura é recomendada, principalmente para quem se interessa pelo tema ou trabalha com essas questões.

OBS: Existem muita objeções e contestações ao trabalho de Sulloway. Apesar disso, gosto da ideia dele porque me parece bem familiar. Sou filho primogênito e mais conservador do que minha irmã (aliás, ela gosta muito de ressaltar isso, o que também pode ser um sinal de rebeldia do filho mais novo).

As Ideias de Darwin é uma seção do Página Virada que discute livros inspirados nas ideias evolucionistas do naturalista inglês.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O que você vai ler em 2012?

Por Guilherme

Já estamos em março, e essa pergunta poderia ter sido feita antes. Mesmo assim ela é válida: que livros você está lendo ou pretende ler em 2012?

Minha lista preliminar:

- O Processo, de Franz Kafka (indicação do amigo Luciano Mallmann)
- Lições de um cachorro livre pensante, de Ted Kerasote
- Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino (indicação do amigo Marcos Kirst)
- O senhor das moscas, de William Golding
- Uma caminhada na floresta, de Bill Bryson
- O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger
- Fordlândia, de Greg Grandin
- A grande mortandade, de John Kelly
- Lila, de Robert Pirsig
- Travels with Charley, de John Steinbeck
- The social animal, de David Brooks
- The big questions, de Simon Blackburn
- Paranormality, de Richard Wiseman
- Do they think you’re stupid?, de Julian Baggini
- Should you judge this book by its cover?, de Julian Baggini

Ainda espero o lançamento de Running with the pack, de Mark Rowlands que é, antecipadamente, meu maior desejo de leitura em 2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

Fronteiras do Pensamento 2012

Por Guilherme

O projeto Fronteiras do Pensamento tem trazido a Porto Alegre (São Paulo também está incluída no ciclo de palestras deste ano) um grupo considerável de intelectuais de renome mundial para debater diversos temas, como a economia, a educação, a ciência, o meio ambiente e a literatura. No ano passado, tive a felicidade de acompanhar as apresentações do escritor peruano Mario Vargas Llosa e do filósofo americano Daniel Dennett.
      No próximo dia 26 de abril, o economista Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em 1998, será o responsável pela palestra inaugural do Fronteiras do Pensamento 2012. Além dele, várias figuras de destaque estarão no salão de atos da UFRGS durante o ano, e destaco duas que admiro há algum tempo: o filósofo inglês Simon Blackburn (falaremos dele em breve aqui no blog), autor de alguns dos mais interessantes livros de divulgação filosófica da atualidade, e o escritor e historiador da ciência Michael Shermer, um americano que tem se destacado na luta contra a superstição e as pseudociências. Shermer é editor da revista Skeptic e também colunista da Scientific American.

Para saber mais sobre o projeto, acesse o site do Fronteiras, clicando aqui. Minha única ressalva é a impossibilidade de se comprar ingressos separados para ver apenas determinadas conferências, o que seria ideal para mim, que não moro em Porto Alegre. Para assistir ao Fronteiras, é necessário adquirir o passaporte que permite acompanhar todas as apresentações.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Li, e assino embaixo

Por Guilherme

Já citei algumas vezes o blog do Professor Cassionei Petry, um espaço repleto de boas ideias e que nos permite pensar sobre temas importantíssimos, como a educação brasileira.
O último post de Petry, Mudanças no Horizonte da Educação, trata de questões que já foram abordadas aqui no Página Virada e que, infelizmente, parecem muito distantes daqueles que têm o poder de formular as políticas educacionais e, também, das famílias brasileiras, para quem a escola se tornou uma espécie de creche para adolescentes.

sábado, 3 de março de 2012

Mais de "O Significado das Coisas"

Por Guilherme

Comentei recentemente sobre o livro The Meaning of Things, de A.C. Grayling, uma coleção de ideias filosóficas distribuídas em verbetes e organizadas em três capítulos. Um dos capítulos trata das “falácias e inimigos” da razão e do florescimento humano. Nele, estão termos como “nacionalismo”, “depressão”, “pobreza”, “racismo”, além da polêmica inclusão de “fé” e “cristianismo”, o que não causa surpresa para quem já leu outros textos do autor.
      A melhor parte do capítulo, no entanto, é a que traz algumas ideias sobre o capitalismo. Não sou marxista, não tenho qualquer simpatia por sistemas comunistas e também, se eu fosse Grayling, os colocaria como inimigos do florescimento humano, mas não é possível defender o sistema capitalista da maneira como ele tem sido empregado nas sociedades humanas. Assim, a frase abaixo, do escritor americano E. B. White, citado por Grayling, me parece uma das melhores sínteses do capitalismo:

O problema com o sistema de lucro sempre foi ser muito pouco lucrativo para a maioria das pessoas.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Qualquer leitura é válida?

Por Guilherme

O jornalista Janer Cristaldo publicou um texto bastante instigante sobre a questão do aumento nos índices de leitura no Brasil. Segundo ele, apesar de os brasileiros estarem lendo mais, a qualidade das obras apreciadas (especialmente de auto-ajuda) é baixa, e isso não traz benefício cultural algum aos leitores.
A questão é delicada, polêmica, e rende boas discussões. Dos autores criticados por Cristaldo, o único que li foi Jô Soares. Não conheço a obra dos demais por falta de interesse, pois se quero ter contato com ideias interessantes, prefiro pegar livros de Daniel Dennett, Mark Rowlands e Steven Pinker a ler Paulo Coelho, Zíbia Gasparetto e Padre Marcelo Rossi.

O texto de Cristaldo pode ser lido aqui.