Poucos
na história da música contemporânea escreveram letras tão bonitas quanto David.
Seu trabalho com Bacharach prova que é possível conjugar letra e música com
perfeição, e produzir algo capaz de emocionar os apreciadores da boa música.
No
vídeo abaixo, Burt Bacharach e Dionne Warwick apresentam algumas das canções
mais famosas de Bacharach/David:
Irvin
Yalom, em seu ótimo De Frente Para o Sol
(Agir, 2008), afirmou que podemos viver eternamente através de nosso legado, ou
seja, nossa essência continua naquilo que fizemos de melhor e de mais valoroso.
Não considero legado como algo necessariamente grandioso, pois creio que muito
daquilo que tratamos como pequeno (nossos gestos, bons exemplos e boas
atitudes) sobrevive a nós em nossos amigos e familiares. É algo parecido com o
que o filósofo Mark Rowlands escreveu sobre memória e lembranças:
“É em nossas vidas, e não, fundamentalmente,
em nossas experiências conscientes, que encontramos as lembranças dos que se
foram. Nossa consciência é instável, não é digna do trabalho de se lembrar. O modo
mais importante de se lembrar de alguém é ser a pessoa em que este alguém nos
transformou – pelo menos em parte – e viver a vida que ele nos ajudou a moldar.
Às vezes, ele não merece ser lembrado. Neste caso, nossa tarefa existencial
mais importante é removê-lo da narrativa de nossas vidas. Mas, quando ele merece
ser lembrado, levarmos uma vida que ele ajudou a moldar não é apenas um modo de
nos lembrarmos dele; é como honrarmos sua memória.”
Inovar,
pesquisar, desenvolver grandes ideias, resolver problemas e apontar caminhos
são também um legado dos mais importantes. Dos autores que costumo ler, três foram
pessoas além de seu tempo: Charles Darwin, Ralph Emerson e Henry Thoreau. Seus
trabalhos nos permitiram observar e entender os seres humanos como não havíamos
feito antes. Darwin, com suas ideias de seleção natural e ancestralidade comum,
colocou o homem em seu devido lugar, no meio dos demais animais. Emerson e
Thoreau, ao refletirem sobre a vida humana, mostraram que podemos ser muito
mais do que costumamos ser, e que a busca do desenvolvimento intelectual e moral
deve ser uma meta em nossa vida, não um luxo ou uma superficialidade.
Tenho
quase todas as obras de Darwin, Emerson e Thoreau em minha biblioteca. Ainda
fico impressionado com a qualidade dos escritos desses autores. Creio que o
legado deixado por eles será apreciado por muitas gerações que estão por vir.
Na verdade, torço por isso.
Pode
parecer estranho, mas pensei na questão do legado ao assistir ao cantor Ritchie
interpretar, em um programa de TV, All
you have to do is dream, sucesso na versão dos Everly Brothers. A música
foi feita em 1958, e contrasta com o que temos ouvido na última década, pelo
menos aqui no Brasil. Ouvi a música, pensei naquilo que faz sucesso hoje, e
tive certeza que o clássico dos Everly Brothers vai perdurar, e torço para que
seja do mesmo jeito que as obras de Darwin, Emerson e Thoreau.
Boa
parte do que sei de inglês se deve ao hábito de ouvir músicas nesse idioma
desde a infância. Comecei com Pink Floyd, Creedence, Dire Straits e Paul
McCartney. Junto com
essa turma, estava a banda dos irmãos Gibb, os Bee Gees.
Fiquei triste ao saber que, com a morte de
Robin, o único dos irmãos que ainda pode ser ouvido é Barry. Lembro que Robin
Gibb tinha show marcado para Porto Alegre no ano passado, e eu estava
combinando com minha irmã para irmos vê-lo. Infelizmente, por problemas de
saúde, Robin precisou cancelar o show e nós perdemos a chance de acompanhar
seus grandes sucessos ao vivo.
Robin se foi, mas seu trabalho solo e,
principalmente, as coisas que fez com seus irmãos, serão contempladas por muito
tempo por aqueles que gostam de música popular internacional.
Se você não conhece o trabalho de Robin e dos Bee Gees, não deixe de ouvir os clássicos abaixo:
Muitas pessoas (me incluo nesse grupo) gostam de ler por encontrarem nos livros algumas respostas às questões que os inquietam na vida. Mesmo se as respostas não estiverem nos bons livros, certamente alguma ideia brilhante surgirá deles, e isso às vezes nos basta.
Com a música ocorre o mesmo. Muitas canções têm versos tão bem escritos que serviriam muito bem para descrever alguns de nossos momentos, bons ou ruins. Um gênio na arte de escrever passagens assim é o inglês Jeff Lynne, da Electric Light Orchestra (da qual já tratamos aqui). E é por isso que vale a pena prestar atenção em Shangri La, um clássico da ELO.
Não se pode listar as grandes bandas de rock sem mencionar o grupo liderado pelo inglês Jeff Lynne, a Electric Light Orchestra, ou ELO, como é chamada pelos fãs. A ELO produziu melodias e letras clássicas que ainda hoje emocionam aqueles que gostam da boa música. Jeff Lynne, por sinal, é um dos músicos mais subestimados da história. Além de compor sucessos como Livin’ Thing, Mr. Blue Sky, Telephone Line, All Over the World, Don’t Bring Me Down, Can’t Get It Out Of My Head e Last Train to London, Lynne fez parte dos Traveling Wilburys, uma super banda que tinha também George Harrison, Bob Dylan, Tom Petty e Roy Orbison.
A última apresentação de Lynne com a ELO aconteceu em 2001, na Zoom Tour, cancelada devido a baixa venda de ingressos. Escrevo isso com tristeza, pois acabo de ler que o show do Exaltasamba em Caxias do Sul teve mais de 11 mil espectadores. Nada contra a banda, nem contra seus fãs, mas o mundo está realmente mudando.
Entre os grandes músicos americanos das últimas décadas, há um espaço de destaque para Billy Joel. O pianista é autor de alguns dos clássicos da música pop dos anos 70 e 80. Ainda hoje, Joel lota estádios em seus shows ao redor do mundo. Nos vídeos abaixo, acompanhe seus grandes sucessos.
Sou fã do rock clássico, daquele que tem uma mensagem interessante, uma letra elaborada, e não agride os ouvidos de ninguém. Comecei a admirar esse tipo de música quando ganhei A Collection of Great Dance Songs, meu primeiro CD do Pink Floyd, e passei a me interessar por artistas daquela época. Creio que sou uma pessoa de sorte nesse aspecto, pois não é todo mundo que tem o privilégio de ouvir Pink Floyd, Dire Straits e Creedence quando está no início da adolescência. E foi nessa época que conheci também Simon & Garfunkel, uma dupla de cantores americanos que não se enquadra propriamente como de roqueiros, mas que produziu algumas das melhores músicas das décadas de 60 e 70. De fato, o “cérebro” da dupla era Paul Simon, responsável pelas letras e melodia das canções, magistralmente entoadas por Art Garfunkel.
Entre todos os músicos que já ouvi, não há nenhum que escreva melhor que Paul Simon. Dificilmente encontramos letras ruins da autoria dele. Boa parte de sua obra gira em torno de temas como a solidão, a melancolia e a tristeza. Suas melodias, muito bem trabalhadas, fazem com que mesmo as músicas mais tristes soem agradáveis. A harmonia vocal dos dois também impressiona, a ponto de fãs dizerem que comprariam um álbum da dupla mesmo se Simon e Garfunkel recitassem a lista telefônica juntos, com o acompanhamento de um violão.
Se você não conhece os principais sucessos dos dois, e mesmo que conheça, vale a pena passar alguns minutos ouvindo suas obras-primas.
No último dia 24, um dos maiores cantores da história do rock virou um septuagenário. Neil Diamond, o americano dono de uma das vozes mais belas e limpas da música contemporânea, é autor de músicas memoráveis, como Sweet Caroline, Red Red Wine, Forever in Blue Jeans, Holly Holy, I’m a Believer, Girl, You’ll be a Woman Soon, Solitary Man, Song Sung Blue, Cracklin’ Rose, I Am... I Said, Kentucky Woman, Done Too Soon, Hell Yeah, September Morn e Heartlight, entre outras. Seu último álbum ao vivo, Hot August Night/NYC 2008 (o terceiro com o mesmo título, os dois primeiros foram lançados em 1972 e 1987) não deve faltar na coleção de nenhum fã do rock clássico, e mostra Diamond com uma vitalidade impressionante.
Ao que parece, a idade não interfere nos planos de Diamond para novas turnês. Em 2011, estão confirmados shows na África do Sul e na Nova Zelândia. Tomara que ele decida esticar a estada no hemisfério sul e passe pelo Brasil também.
Uma das passagens bíblicas mais famosas está contida no capítulo 3 do Livro de Eclesiastes:
Para tudo há um momento, e tempo para cada coisa sob o céu:
Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir;
Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar;
Tempo de atirar pedras e tempo de juntar pedras; tempo de abraçar e tempo de evitar o abraço;
Tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora;
Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar;
Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
O músico americano Pete Seeger aproveitou esses versos, os modificou ligeiramente e, em 1959, compôs uma das mais belas canções da história do rock, Turn! Turn! Turn!, que ficaria conhecida na versão dos Byrds, na década de 60.
O site Songfacts é o local ideal para aqueles que gostam de música e também apreciam a história por trás de cada uma delas. Além de apresentar os fatos referentes à composição de cada música (quem a compôs, quando, qual foi a inspiração, sobre o que ela trata) o site disponibiliza a opinião de fãs, que também comentam sobre suas músicas preferidas e, muitas vezes, falam da importância delas em suas vidas.
Passei boa parte da minha adolescência ouvindo a rádio Antena1, ligado na frequência 102.7 de Caxias do Sul. Com ela, fazia minhas tarefas de casa, lia, descansava e passava meu tempo livre. Através dela, conheci melhor grandes nomes da música como Phil Collins, Alice Cooper, America, Johnny Rivers, Bee Gees, Peter Frampton, Chicago, entre outros, além de ouvir frequentemente músicas dos Beatles (foi através da Antena1 que ouvi In my life, a melhor música de Lennon/McCartney, na minha opinião). Lembro, inclusive, da noite em que liguei o rádio (já ajustado nos 102.7) e estranhei a programação da rádio, bem diferente da Antena1 que eu conhecia. E, de fato, não havia mais transmissão da rádio na serra gaúcha, e o único modo de ouvir os clássicos da Antena1 era sintonizar os 89.3 da transmissora de Porto Alegre, ou ir ao site da rádio, o que era complicado em uma época de conexões discadas e caras. O fim da Antena1 na serra gaúcha foi uma das tristezas da minha adolescência. Não encontrei outra emissora que tocasse os clássicos do rock e da música pop dos anos 60, 70 e 80.
Felizmente, descobri outra rádio com um perfil parecido com o da Antena1. A Rádio Centro, da cidade de Ushuaia, na Terra do Fogo argentina, tem uma programação dedicada aos clássicos das décadas passadas. Das 20h às 8h, a rádio toca muita coisa boa, como Neil Diamond, Paul McCartney, George Harrison, Electric Light Orchestra, Creedence, Rod Stewart, Phil Collins e Roy Orbison. Os outros horários são dedicados às músicas argentina e latina.
Além da boa programação, o pessoal da rádio entende o que a música significa para a vida das pessoas. Isso transparece na mensagem inicial do site:
Disfruten de una programación realizada para que puedan escuchar aquellos temas que marcaron sus vidas, los temas con que pasaron su juventud, con los que conocieron a alguien, con los que iniciaron un camino…
Esperemos que disfruten esta radio, en donde volvemos a la tradicional FM en donde se podía ESCUCHAR Música.
Um dos assuntos mais comentados nas últimas semanas é a vinda do Beatle Paul McCartney ao Brasil. Aqui, ele fará três shows (um em Porto Alegre e dois em São Paulo), todos eles com ingressos esgotados. No Rio Grande do Sul, comenta-se que a movimentação causada pela vinda de Macca é semelhante à que ocorreu durante a visita do Papa João Paulo II a Porto Alegre em 1980. O motivo para tanta expectativa é óbvio: McCartney formou com John Lennon, George Harrison e Richard Starkey (Ringo Starr) o maior grupo de rock da história, e é a primeira vez que um deles vem ao Rio Grande do Sul.
Uma história como a dos Beatles é algo raríssimo e provavelmente nunca se repetirá em local algum. É uma coincidência impressionante o fato de que três dos maiores talentos da música contemporânea (McCartney, Lennon e Harrison) se encontrassem na mesma região e na mesma época. O que eles fizeram juntos perdurará para sempre.
Na Idade Média, os monges católicos chegavam a frequentar até oito ritos religiosos por dia. Nessa época, durante o papado de Gregório I (590-604), desenvolveu-se o tipo de canto que empresta seu nome desse religioso.
Não se sabe se o canto gregoriano era usado para que as celebrações se tornassem mais agradáveis ou para que as orações e os salmos pudessem ser memorizados mais facilmente. De qualquer modo, o canto gregoriano foi se espalhando pelos monastérios da Europa ao longo dos séculos, e até hoje há quem o pratique.
Inicialmente, não havia acompanhamento musical. Além disso, o canto gregoriano era reservado especialmente aos homens. As mulheres não eram proibidas inteiramente de praticá-lo, mas deveriam fazê-lo somente dentro dos portões de sua ordem religiosa e para um público bem reduzido.
Com o passar do tempo, o canto gregoriano deixou de ser algo exclusivo da Igreja Católica. Atualmente, há bandas de canto gregoriano que interpretam canções contemporâneas. Ao contrário de uma ópera, em que o cantor deve também ser um ator, o cantor gregoriano precisa dar mais destaque à letra da música do que à sua interpretação. No vídeo abaixo, a banda alemã Gregorian (não são monges de verdade) faz uma versão da música With or Without You, do U2.