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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Mia Couto encerra Fronteiras do Pensamento

Na última segunda-feira, dia 12, o escritor moçambicano Mia Couto esteve no Salão de Atos da UFRGS para realizar a última – e mais divertida – conferência do programa Fronteiras do Pensamento. Demonstrando simpatia desde o início de sua apresentação, Couto falou, entre outros temas, da capacidade de nosso pensamento superar distintas fronteiras, como o medo, o preconceito e a ignorância.
   Em relação ao preconceito, ou às ideias preconcebidas, o escritor afirmou que não existe um brasileiro “típico”, pois cada um dos habitantes do país representa um Brasil à sua maneira. Nosso país, aliás, é um destino frequente do moçambicano, que se mostrou entusiasmado com a maneira pela qual tem sido recebido em diversos estados brasileiros, mesmo tendo enfrentado pequenos problemas com o significado de algumas palavras também usadas em seu país, só que em outro contexto. “Bala”, por exemplo, é um termo bastante traumático para habitantes de um país que foi palco de recentes guerras, como Moçambique, e por isso Couto se assustou quando um taxista perguntou se ele “queria uma balinha”, ao oferecer ao africano o doce mais famoso do Brasil, mas que não é conhecido em Moçambique por esse nome.
   Mia Couto é também biólogo, e em uma saída a campo no norte de seu país ele ouviu relatos de pessoas que estavam sendo atacadas e mortas por leões. Precisando dormir em uma barraca próxima à região dos ataques, Couto refletiu sobre as fronteiras que separam os humanos dos outros animais. Na ocasião, os tradicionais papeis de caçador e caçado haviam se invertido, e os humanos temiam encontrar os grandes felinos e acabarem devorados por eles. A amedrontadora experiência inspirou Mia a escrever A Confissão da Leoa (Companhia das Letras, 2012), sua mais recente obra.
   O escritor terminou a sua conferência com a história de um menino que conheceu em Moçambique. Couto disse que voltava para sua casa à noite quando percebeu um menino encostado em um muro, com uma mão atrás das costas. O garoto foi até ele e entregou-lhe um livro de autoria de Mia, que tinha uma foto do autor na capa. “Esse livro é seu”, disse o menino. Mia queria saber como o menino havia conseguido o livro, e ouviu algo como “Vi esse livro com uma moça, reconheci a sua foto na capa e perguntei se o livro era do Mia Couto. Ela disse que sim, eu tirei o livro dela e vim até aqui devolvê-lo ao senhor.” Mia deixou que o menino, analfabeto, ficasse com o livro. Anos depois, o garoto foi ao escritório do autor para devolver o livro que, para a surpresa de Mia, estava com alguns versos anotados em suas páginas. Versos criados pelo garoto, que havia aprendido a ler e a escrever incentivado pelo trabalho do escritor.
   Ainda não li nenhuma obra de Mia Couto – A Confissão da Leoa será a primeira –, mas saí de sua conferência com a sensação de que seu status como um dos grandes contadores de histórias em língua portuguesa no mundo contemporâneo é merecido. Creio que as outras pessoas que acompanharam a conferência, e aplaudiram Mia Couto de pé ao seu final, concordam com isso.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ambientes digitais, nossos cérebros e os solitários repletos de "amigos"

Por Guilherme

A neurocientista britânica Susan Greenfield esteve recentemente no Brasil, palestrando no programa Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre e em São Paulo sobre a influência das novas mídias em nossos cérebros. De acordo com ela, o fato de estarmos expostos a uma enorme quantidade de informações na rede pode fazer com que nos tornemos indivíduos “multitarefa”, fazendo muitas coisas em pouco tempo, mas prestando pouca atenção nas tarefas que desempenhamos e sendo superficiais nos assuntos que estudamos. Greenfield afirma que é possível que os escores em testes de QI das futuras gerações aumentem em decorrência do uso dessas novas tecnologias (Michael Shermer afirma a mesma coisa), mas que estamos perdendo muito com o uso excessivo delas.
    Para entender um pouco melhor o ponto de vista da neurocientista, recomendo a leitura de uma entrevista concedida por ela à revista Veja. Também recomendo atenção ao vídeo abaixo, uma apresentação da psicóloga Sherry Turkle, autora de Alone Together: why we expect more from technology and less from each other (algo como Sozinhos Juntos: por que esperamos mais da tecnologia do que uns dos outros, obra ainda não lançada no Brasil, mas que será tema de um post aqui no blog em breve). Turkle afirma que a tecnologia está nos tornando mais distantes dos outros e criando pessoas cheias de “amigos virtuais”, mas sem ninguém para trocar ideias pessoalmente.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

11ª Feira do Livro de Antônio Prado

Por Guilherme

Desde o último domingo, dia 9, a Praça Garibaldi é o palco de um dos eventos mais tradicionais de Antônio Prado, a Feira do Livro. Em sua décima primeira edição, a Feira tem como patrona a professora Rosa Guerra e oferece à comunidade pradense uma ótima programação cultural, além da possibilidade de aquisição de livros com 15% de desconto.
O evento termina no dia 16, domingo, e quem não passou pela praça ainda tem tempo de prestigiar essa grande iniciativa.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Michael Shermer no Fronteiras do Pensamento

Por Guilherme

“Você me diz que o Pé-Grande existe, e eu digo: ‘legal, onde está o corpo?’; você me diz que descobriu a cura para a AIDS, e eu te pergunto: ‘ótimo, mostre-me seus resultados’; você me diz que foi abduzido por alienígenas, e eu digo: ‘legal, posso ver o que você trouxe da nave?’”

O espírito cético esteve presente na conferência apresentada pelo psicólogo e historiador da ciência Michael Shermer no Fronteiras do Pensamento. Espírito no sentido de “ideia, essência”, claro, pois o espírito tradicionalmente concebido pelas pessoas é, na opinião de Shermer, o próprio cérebro.
        Com um grande senso de humor e um raciocínio claro, Shermer apresentou suas ideias sobre como as pessoas formam seu sistema de crenças, assunto que o autor trata em seu último livro publicado aqui no Brasil, Cérebro & Crença: de fantasmas e deuses à política e às conspirações – como nosso cérebro constrói nossas crenças e as transforma em verdades (JSN, 2012). Baseando-se em estudos de psicologia e neurociência, Shermer argumentou que nosso cérebro é moldado para gerar crenças, juntando fatos e informações sensoriais desconexos, que resultam no absurdo de aceitar bobagens como a clarividência. Depois que começamos a acreditar em algo, elaboramos explicações para justificar isso, e assim mantemos nossa convicção em determinadas ideias.
        Ser cético, ao contrário do que muita gente pensa, não é negar a possibilidade do conhecimento e ser contrário a qualquer ideia. O ceticismo exige embasamento, evidência e argumentação sólida para que se aceite o novo conhecimento. Assim, se você pensa que fantasmas devem existir por causa das milhares de fotos borradas que circulam pela internet, talvez seja uma boa ideia refinar seu senso crítico.
        Um exemplo interessante de como se pode testar uma ideia foi o trabalho de Emily Rosa sobre o toque terapêutico, resumido por Shermer na conferência. O toque terapêutico é uma prática que tem por base os “chacras” corporais, locais por onde se afirma que nossa energia flui. Consequentemente, se estamos com dores em algum ponto do corpo, ou temos outros problemas mais graves, isso se deve à falta de fluxo da energia, que pode ser resolvida quando um “especialista” posiciona a mão acima do ponto onde se localiza o chacra, e faz a energia fluir, sem encostar no paciente, como se fosse uma “massagem à distância”. A ideia foi testada cientificamente por Emily, uma aluna da quarta série do Ensino Fundamental, através de um experimento muito bem elaborado, no qual foram submetidos 21 praticantes do toque terapêutico. Sem qualquer surpresa, os “especialistas” se saíram muito mal, e a menina, então com 11 anos, teve seu trabalho publicado em um dos mais importantes jornais da área médica. (clique aqui para saber mais sobre o experimento de Emily Rosa, e aqui para ver como a menina cresceu, uma sólida evidência contra qualquer cético que afirme não existir beleza na ciência)
        Shermer citou os trabalhos de Daniel Simons sobre a cegueira por desatenção (para quem não sabe do que se trata, clique aqui e veja o vídeo original da pesquisa de Simons), de Bruce Hood, sobre a essência em objetos (você vestiria a camisa  que foi usada por um serial killer no dia em que ele cometeu um crime?), e de Peter Brugger, sobre a influência da dopamina em nossas percepções sensoriais.
        No final de sua apresentação, Shermer respondeu a questões da platéia sobre religião, educação, Fritjof Capra e o poder da intuição como forma de adquirir conhecimento. Sobre o último tema, o conferencista afirmou que não podemos confiar plenamente em nossa intuição, porque muitas vezes ela está errada, carregada de preconceitos e más concepções sobre o mundo ao nosso redor.
        Em que acreditar, então? Em Cérebro & Crença, Shermer nos mostra o caminho mais seguro:
        “Eu também acredito que a verdade está lá fora, mas ela raramente é óbvia e quase nunca é infalível. Aquilo em que quero acreditar com base nas emoções e aquilo em que devo acreditar com base em evidências nem sempre coincidem. Sou cético não porque não queira acreditar, mas porque quero saber. Como saber a diferença entre o que gostaríamos que fosse verdade e o que é de fato verdade?.
        A resposta é: ciência. Vivemos na era da ciência, na qual se espera que as crenças sejam fundamentadas em sólidas evidências e dados empíricos.”


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Simon Blackburn no Fronteiras do Pensamento

Por Guilherme

Na última segunda-feira, dia 20, o Salão de Atos da Reitoria da UFRGS recebeu o filósofo inglês Simon Blackburn, um dos mais destacados pensadores contemporâneos. A conferência de Blackburn, chamada “As Grandes Questões da Filosofia”, abordou temas diversos como o livre-arbítrio, o egoísmo, o bem e o mal e a importância do ensino da filosofia nas escolas.
        Sobre a questão do egoísmo e do altruísmo, Blackburn afirmou que as pessoas não são tão simples a ponto de poderem ser consideradas como pertencentes a uma categoria ou a outra. Ao tratar do tema, Blackburn citou o candidato a vice-presidente do partido republicano dos EUA, Paul Ryan, e sua paixão pelo trabalho da escritora Ayn Rand, especialmente A Revolta de Atlas, uma defesa da busca do interesse próprio e do egoísmo como virtude suprema.  Não podemos enxergar as coisas mundanas como eternas dicotomias, especialmente em áreas como a política e a educação. Um político defensor da “filosofia” do objetivismo de Rand é sempre uma aposta perigosa.
        Boa parte da conferência de Blackburn se baseou em seu livro Philosophy: the big questions (Quercus Publishing, 2009), e um dos pontos mais interessantes tratados por Blackburn foi a questão do livre arbítrio, assunto polêmico que está na roda de discussões científicas e filosóficas atuais. A tendência científica é afirmar que não temos o que chamamos tradicionalmente de livre-arbítrio, mas, para Blackburn, é importante refletir muito mais a respeito do tema. Para ilustrar a questão de até que ponto somos responsáveis pelo que fazemos, o filósofo inglês usou um exemplo extraído da antiga legislação criminal inglesa: se precisamos decidir se um criminoso tem problemas mentais e, assim, tem sua responsabilidade diminuída ao cometer algum delito, devemos nos perguntar “ele teria feito isso se houvesse um policial o observando de perto?”. Se a resposta fosse “sim”, provavelmente o indivíduo em questão não é tão responsável pelo que faz. Novamente, a questão não é simples, pois muitas pessoas liquidam o saldo do cartão de crédito mesmo sabendo que a falência financeira as acompanha de perto.
        Falando sobre o bem e o mal, Blackburn trouxe um jogo de raciocínio clássico: para consideramos algo bom, pensamos que esse algo é bom por ter valor em si mesmo, ou é bom porque foi determinado por Deus? Se formos adeptos da primeira opção, podemos seguir um linha moral não associada à qualquer religião.
        O conferencista também tratou de educação, e afirmou estar feliz por saber que no Brasil a filosofia é uma matéria escolar (talvez não ficasse muito animado se soubesse como o assunto é tratado nas escolas). Usando o exemplo de sua própria filha ao falar do necessário estímulo ao conhecimento que os professores devem dar aos alunos, Blackburn não hesitou: precisamos estudar as disciplinas técnicas, mas não podemos esquecer da filosofia. A biologia, a química, a matemática e a física nos fornecem respostas para boa parte daquilo que buscamos. Para muitos outros assuntos, a filosofia é indispensável.

domingo, 17 de junho de 2012

Convite para o lançamento de "Tetraedro"

Por Guilherme

Recebi, do amigo Marcos Kirst, o convite para o lançamento da obra Tetraedro (Maneco, 2012), uma coleção de crônicas escritas por Lúcio Saretta, Tiago Marcon, Uili Bergamin e o próprio Kirst.
O lançamento com sessão de autógrafos ocorre no dia 05 de julho, às 19h30, no Aristos London House (térreo do Clube Juvenil, em Caxias do Sul).
O convite para o lançamento de Tetraedro está, desde já, feito aos leitores do blog, que podem aproveitar a oportunidade para conhecer e trocar ideias com importantes escritores da serra gaúcha.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Vandana Shiva no Fronteiras do Pensamento

Por Guilherme

Na última segunda-feira, dia 28, a ativista ecológica indiana Vandana Shiva esteve em Porto Alegre para palestrar no Programa Fronteiras do Pensamento.
    Não conhecia as ideias de Shiva antes de acompanhar a sua conferência, mas algumas de suas posições são bem interessantes. No início, ela argumentou que a dualidade homem X natureza ainda continua presente, e a nossa insistência em negar que somos parte da natureza é uma das causas da negligência humana com o meio ambiente.
    Shiva também deixou muito claro que se opõe ao grande poder que as multinacionais exercem sobre os governos atualmente. Hoje somos parcialmente governados por políticos, pois boa parte das políticas públicas é definida por empresas com forte lobby sobre os governos. O exemplo dado por Shiva foi a atuação da Monsanto na Índia (a empresa atua em vários países, inclusive o Brasil), que patenteou diversas sementes e variedades de grãos, aumentou seu poder sobre a produção agrícola naquele país e reduziu o espaço dos produtores locais que, com poucas opções, acabaram virando reféns de mercado da Monsanto.
    Quando ouvi a argumentação de Shiva lembrei imediatamente das grandes corporações educacionais e das indústrias de planos de saúde aqui no Brasil. Hoje, por exemplo, é impossível algum Ministro da Educação acenar com a hipótese de redução ou limitação no número de alunos nas salas do Ensino Superior. A explicação é simples: algumas faculdades acabaram se tornando grupos gigantescos com poderio financeiro enorme, e cujo alcance político é igualmente assombroso. Se algum Ministro se pronunciar sobre algo que possa diminuir os ganhos absurdos dessas instituições, como a redução do número de alunos por turma (que passam de 120, em algumas faculdades), ele estará fora do governo no dia seguinte. Somos governados por corporações, não por governos, e sucumbimos aos seus interesses sem perceber isso.
    Outro detalhe importante da apresentação de Shiva foi a sua crítica ao consumismo. Vivemos em um mundo cheio de dinheiro (mal distribuído, diga-se de passagem), mas que também está cheio de pessoas infelizes. Nos Estados Unidos, segundo Shiva, é grande o número de pessoas que recorrem a antidepressivos para conseguir tocar a vida diária. Vale dizer que esse é o país mais poderoso do planeta, e um dos mais ricos também. A conclusão parece óbvia, mas é importante discutir como podemos viver de maneira menos atrelada aos ganhos financeiros e mais ligada a outros valores, como o afeto, a empatia, a civilidade e a cultura.
    Consumo, aliás, é o antigo termo dado à tuberculose. Do mesmo modo que a tuberculose consumiu a vida de inúmeras pessoas em séculos passados, nossos hábitos desenfreados de consumo podem acabar fazendo o mesmo, de outras maneiras.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Aventureiro no Café Literário

Por Guilherme

Na próxima quarta-feira, dia 25 de abril, acontecerá o 27º Café Literário de Antônio Prado. O convidado para o bate-papo é o jornalista e escritor José Ferreira da Silva, o caxiense que viajou por 54 países – percorrendo mais de 85 mil quilômetros – com uma lambreta no final da década de 1960. As experiências da incrível viagem do jornalista estão em seu livro O Aventureiro – a volta ao mundo de lambreta.
Todos estão convidados para ouvir as histórias de Ferreira e conversar com o autor.


Para saber mais sobre o autor e sua viagem, clique aqui e aqui.

terça-feira, 27 de março de 2012

Café Literário em Antônio Prado

Por Guilherme

A Secretaria de Educação, Cultura e Desporto de Antônio Prado está promovendo a 26a edição do Café Literário, um evento de sucesso que acontece mensalmente no Centro Cultural Padre Schio.
A convidada do Café do mês de março é Maria Helena Balen, escritora e colunista do jornal Pioneiro, que discutirá o tema "Páscoa: tempo de reflexão".
O evento ocorre amanhã, dia 28/03, às 20h, no Centro Cultural Padre Schio em Antônio Prado, e tem entrada franca.

terça-feira, 6 de março de 2012

Fronteiras do Pensamento 2012

Por Guilherme

O projeto Fronteiras do Pensamento tem trazido a Porto Alegre (São Paulo também está incluída no ciclo de palestras deste ano) um grupo considerável de intelectuais de renome mundial para debater diversos temas, como a economia, a educação, a ciência, o meio ambiente e a literatura. No ano passado, tive a felicidade de acompanhar as apresentações do escritor peruano Mario Vargas Llosa e do filósofo americano Daniel Dennett.
      No próximo dia 26 de abril, o economista Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em 1998, será o responsável pela palestra inaugural do Fronteiras do Pensamento 2012. Além dele, várias figuras de destaque estarão no salão de atos da UFRGS durante o ano, e destaco duas que admiro há algum tempo: o filósofo inglês Simon Blackburn (falaremos dele em breve aqui no blog), autor de alguns dos mais interessantes livros de divulgação filosófica da atualidade, e o escritor e historiador da ciência Michael Shermer, um americano que tem se destacado na luta contra a superstição e as pseudociências. Shermer é editor da revista Skeptic e também colunista da Scientific American.

Para saber mais sobre o projeto, acesse o site do Fronteiras, clicando aqui. Minha única ressalva é a impossibilidade de se comprar ingressos separados para ver apenas determinadas conferências, o que seria ideal para mim, que não moro em Porto Alegre. Para assistir ao Fronteiras, é necessário adquirir o passaporte que permite acompanhar todas as apresentações.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Café Literário com o Maneco

Por Guilherme

Arcângelo Zorzi Neto, o Maneco, é uma das figuras de maior destaque na cultura da serra gaúcha. Além de ser o fundador de uma das maiores livrarias e editoras do Rio Grande do Sul, Maneco também atua em outras áreas, como o teatro e os programas de rádio.
Maneco estará no próximo Café Literário de Antônio Prado, ocasião na qual falará sobre sua bem-sucedida trajetória como livreiro. O evento ocorre na próxima terça-feira, dia 29 de novembro, às 20h, no Centro Cultural Padre Schio. A entrada é gratuita.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Feira do Livro de Antônio Prado é sucesso

Por Guilherme

No último domingo, dia 23/10, terminou a 10ª Feira do Livro de Antônio Prado, evento já consagrado no calendário do Município e que teve como patrona a Sra. Innocencia Bernardi. A Feira, que é o maior evento cultural de Antônio Prado, levou centenas de pessoas à Praça Garibaldi diariamente. Os visitantes puderam assistir a apresentações teatrais, musicais, e palestras com autores consagrados como Airton Ortiz, André Neves (vencedor do Prêmio Jabuti de 2011, na categoria livro infantil, por Obax), Jane Tutikian (patrona da Feira do Livro de Porto Alegre de 2011) e Mário Pirata, entre outros.
O sucesso da Feira se deve ao trabalho primoroso da Secretaria de Educação e Cultura de Antônio Prado e à participação dos livreiros, artistas, escolas e da comunidade pradense.
Meu desafio, por hora, é dar conta de alguns dos quase trinta livros que compramos durante a Feira.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Feira do Livro em Antônio Prado

Por Guilherme

Entre os dias 16 e 23 de outubro ocorrerá a décima edição da Feira do Livro de Antônio Prado. Além da presença de diversos escritores, a Feira trará outras atrações artísticas, como apresentações musicais e de teatro. O evento acontece na Praça Garibaldi e se estende às escolas do Município, que receberão os escritores convidados para um bate-papo durante o período da Feira.
O evento é organizado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, conta com o apoio da Secretaria da Saúde e das Livrarias Do Aluno e Mister Ju.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Café Literário em Antônio Prado

Por Guilherme

Na próxima quinta-feira, dia 25, acontecerá mais uma edição do Café Literário no Centro Cultural Padre Schio, em Antônio Prado. O convidado do Café é meu amigo Rodrigo Cambará Printes, biólogo e doutor em ecologia pela UFMG. Rodrigo falará sobre o tema "Patrimônio Natural".
O evento é organizado pela Secretaria de Educação e Cultura de Antônio Prado, em parceria com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente do município, e faz parte da Semana do Patrimônio.
O Café Literário tem início às 19h30 e a entrada é franca.


sábado, 28 de maio de 2011

"A Senha" entre os mais vendidos na feira do livro de Bento Gonçalves

Por Guilherme

A Feira do Livro de Bento Gonçalves encerrou-se há pouco tempo. Entre as obras mais vendidas na Feira, está A Senha (Editora do Maneco, 2011), que está em sua segunda edição. O livro foi escrito pela co-autora do blog, minha irmã Natália, que também publicou Os Cinco Suspeitos (na quarta edição) pela mesma editora.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Café Literário com Marcos Kirst

Por Guilherme

No dia 28 de abril, às 19h30, ocorrerá uma nova edição do Café Literário de Antônio Prado, no Centro de Cultura Padre Schio. O evento, promovido pela Secretaria Municipal da Educação e Cultura, trará o jornalista e escritor Marcos Kirst para um bate papo sobre a formação de leitores e escritores. O evento é gratuito e aberto a todos os interessados.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Daniel Dennett no Fronteiras do Pensamento

Por Guilherme

      O programa Fronteiras do Pensamento trouxe a Porto Alegre, no início dessa semana, o filósofo americano Daniel Dennett. Dennett é um dos maiores discípulos contemporâneos das ideias de Charles Darwin e, junto com Richard Dawkins, o maior crítico do papel das religiões organizadas no mundo.
      Dennett começou sua carreira acadêmica estudando assuntos ligados à origem da consciência humana. Seu conhecimento das ideias evolucionistas de Darwin fez com que ele unisse esses dois campos do conhecimento, propondo teorias a respeito de como a seleção natural moldou nossa estrutura cerebral e nos permitiu possuir essa característica tão distinta que é a consciência. Esse foi, em linhas gerais, o assunto apresentado pelo filósofo no Fronteiras do Pensamento.
      Conheço as ideias de Dennett desde a época de minha graduação, quando li A Perigosa Ideia de Darwin (Rocco, 1998), e me surpreendi com o enorme conhecimento do autor sobre evolução, apesar de ele não ser biólogo. Nesse livro, o americano explica os mecanismos que possibilitam aos seres vivos evoluírem (modificarem-se ao longo do tempo) e quais são as implicações do conhecimento da evolução em campos como a ética e a psicologia. Um dos conceitos mais interessantes da obra, e que também foi abordado por Dennett em sua palestra, é a ideia dos memes. Um meme é uma espécie de gene cultural, ou seja, uma ideia, palavra, música ou conceito que se espalha pela população através da cultura e, como ocorre com os genes, também está sujeito à seleção. Boas ideias, assim como bons genes, permanecem por um bom tempo, e é por isso que ainda hoje lemos Shakespeare e os filósofos gregos. Apesar disso, ideias e conceitos não tão bons assim também podem perdurar por nos atingirem da mesma maneira que um vírus, subitamente e sem que sejam notadas. Isso explica por que letras de músicas “grudentas” costumam fazer algum sucesso.
      O último livro de Dennett lançado no Brasil, Quebrando o Encanto (Globo, 2006), trata de um tema bastante espinhoso: o surgimento, a evolução e a fixação de ideias religiosas nas pessoas, e o posterior surgimento das religiões organizadas. De acordo com o filósofo, a religião também é um meme que passou pelo teste do tempo e hoje pode ser encontrada em todas as culturas do planeta. O autor critica o fundamentalismo religioso, que foi a causa de tragédias como a de 11 de setembro de 2001 em Nova York, e convoca os moderados a discutirem internamente de que modo isso pode ser solucionado. Apesar de sua postura crítica e do ateísmo confesso, Dennett é bastante respeitado por autoridades religiosas pela sua seriedade e pelo tom moderado de suas opiniões.
      Tenho em Dennett um grande herói intelectual. A Perigosa Ideia de Darwin é um dos livros mais interessantes que li, e o recomendo àqueles que queiram conhecer melhor os mecanismos evolutivos. O conhecimento que ele demonstra ao falar sobre evolução e a clareza de seus escritos são impressionantes, a ponto de alguns o considerarem o “novo Darwin” (o que se justifica também pela aparência de Dennett, calvo e com uma grande barba branca, como a do evolucionista inglês). O autor mantém um site, através do qual podemos acessar alguns de seus textos, sejam artigos científicos ou de jornal. Fazer uma visita ao site de Dennett e ler seus escritos é a melhor maneira de entrar em contato com as ideias de um dos mais influentes pensadores da atualidade.