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segunda-feira, 29 de abril de 2013
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Mia Couto encerra Fronteiras do Pensamento
Na
última segunda-feira, dia 12, o escritor moçambicano Mia Couto esteve no Salão
de Atos da UFRGS para realizar a última – e mais divertida – conferência do
programa Fronteiras do Pensamento. Demonstrando simpatia desde o início de sua
apresentação, Couto falou, entre outros temas, da capacidade de nosso
pensamento superar distintas fronteiras, como o medo, o preconceito e a ignorância.
Em relação ao preconceito, ou às ideias
preconcebidas, o escritor afirmou que não existe um brasileiro “típico”, pois
cada um dos habitantes do país representa um Brasil à sua maneira. Nosso país,
aliás, é um destino frequente do moçambicano, que se mostrou entusiasmado com a
maneira pela qual tem sido recebido em diversos estados brasileiros, mesmo
tendo enfrentado pequenos problemas com o significado de algumas palavras
também usadas em seu país, só que em outro contexto. “Bala”, por exemplo, é um
termo bastante traumático para habitantes de um país que foi palco de recentes
guerras, como Moçambique, e por isso Couto se assustou quando um taxista
perguntou se ele “queria uma balinha”, ao oferecer ao africano o doce mais
famoso do Brasil, mas que não é conhecido em Moçambique por esse nome.
Mia Couto é também biólogo, e em uma saída a
campo no norte de seu país ele ouviu relatos de pessoas que estavam sendo
atacadas e mortas por leões. Precisando dormir em uma barraca próxima à região
dos ataques, Couto refletiu sobre as fronteiras que separam os humanos dos
outros animais. Na ocasião, os tradicionais papeis de caçador e caçado haviam
se invertido, e os humanos temiam encontrar os grandes felinos e acabarem devorados
por eles. A amedrontadora experiência inspirou Mia a escrever A Confissão da Leoa (Companhia das Letras,
2012), sua mais recente obra.
O escritor terminou a sua conferência com a
história de um menino que conheceu em Moçambique. Couto disse que voltava para
sua casa à noite quando percebeu um menino encostado em um muro, com uma mão
atrás das costas. O garoto foi até ele e entregou-lhe um livro de autoria de
Mia, que tinha uma foto do autor na capa. “Esse livro é seu”, disse o menino.
Mia queria saber como o menino havia conseguido o livro, e ouviu algo como “Vi
esse livro com uma moça, reconheci a sua foto na capa e perguntei se o livro
era do Mia Couto. Ela disse que sim, eu tirei o livro dela e vim até aqui
devolvê-lo ao senhor.” Mia deixou que o menino, analfabeto, ficasse com o livro.
Anos depois, o garoto foi ao escritório do autor para devolver o livro que,
para a surpresa de Mia, estava com alguns versos anotados em suas páginas.
Versos criados pelo garoto, que havia aprendido a ler e a escrever incentivado pelo
trabalho do escritor.
Ainda não li nenhuma obra de Mia Couto – A Confissão da Leoa será a primeira –,
mas saí de sua conferência com a sensação de que seu status como um dos grandes
contadores de histórias em língua portuguesa no mundo contemporâneo é merecido.
Creio que as outras pessoas que acompanharam a conferência, e aplaudiram Mia
Couto de pé ao seu final, concordam com isso.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Ambientes digitais, nossos cérebros e os solitários repletos de "amigos"
Por
Guilherme
A
neurocientista britânica Susan Greenfield esteve recentemente no Brasil,
palestrando no programa Fronteiras do Pensamento em Porto Alegre e em São Paulo
sobre a influência das novas mídias em nossos cérebros. De acordo com ela, o
fato de estarmos expostos a uma enorme quantidade de informações na rede pode
fazer com que nos tornemos indivíduos “multitarefa”, fazendo muitas coisas em
pouco tempo, mas prestando pouca atenção nas tarefas que desempenhamos e sendo
superficiais nos assuntos que estudamos. Greenfield afirma que é possível que os
escores em testes de QI das futuras gerações aumentem em decorrência do uso
dessas novas tecnologias (Michael Shermer afirma a mesma coisa), mas que estamos
perdendo muito com o uso excessivo delas.
Para entender um pouco melhor o ponto de
vista da neurocientista, recomendo a leitura de uma entrevista concedida por ela à revista Veja. Também recomendo atenção ao vídeo abaixo, uma apresentação
da psicóloga Sherry Turkle, autora de Alone
Together: why we expect more from technology and less from each other (algo
como Sozinhos Juntos: por que esperamos
mais da tecnologia do que uns dos outros, obra ainda não lançada no Brasil,
mas que será tema de um post aqui no blog em breve). Turkle afirma que a
tecnologia está nos tornando mais distantes dos outros e criando pessoas cheias
de “amigos virtuais”, mas sem ninguém para trocar ideias pessoalmente.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
11ª Feira do Livro de Antônio Prado
Por
Guilherme
Desde
o último domingo, dia 9, a Praça Garibaldi é o palco de um dos eventos mais
tradicionais de Antônio Prado, a Feira do Livro. Em sua décima primeira edição,
a Feira tem como patrona a professora Rosa Guerra e oferece à comunidade
pradense uma ótima programação cultural, além da possibilidade de aquisição de
livros com 15% de desconto.
O
evento termina no dia 16, domingo, e quem não passou pela praça ainda tem tempo
de prestigiar essa grande iniciativa.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Michael Shermer no Fronteiras do Pensamento
Por
Guilherme
“Você me diz que o Pé-Grande existe, e eu
digo: ‘legal, onde está o corpo?’; você me diz que descobriu a cura para a
AIDS, e eu te pergunto: ‘ótimo, mostre-me seus resultados’; você me diz que foi
abduzido por alienígenas, e eu digo: ‘legal, posso ver o que você trouxe da nave?’”
O
espírito cético esteve presente na conferência apresentada pelo psicólogo e
historiador da ciência Michael Shermer no Fronteiras
do Pensamento. Espírito no sentido de “ideia, essência”, claro, pois o
espírito tradicionalmente concebido pelas pessoas é, na opinião de Shermer, o
próprio cérebro.
Com um grande senso de humor e um
raciocínio claro, Shermer apresentou suas ideias sobre como as pessoas formam
seu sistema de crenças, assunto que o autor trata em seu último livro publicado
aqui no Brasil, Cérebro & Crença: de
fantasmas e deuses à política e às conspirações – como nosso cérebro constrói
nossas crenças e as transforma em verdades (JSN, 2012). Baseando-se em
estudos de psicologia e neurociência, Shermer argumentou que nosso cérebro é
moldado para gerar crenças, juntando fatos e informações sensoriais desconexos,
que resultam no absurdo de aceitar bobagens como a clarividência. Depois que
começamos a acreditar em algo, elaboramos explicações para justificar isso, e
assim mantemos nossa convicção em determinadas ideias.
Ser cético, ao contrário do que muita
gente pensa, não é negar a possibilidade do conhecimento e ser contrário a qualquer
ideia. O ceticismo exige embasamento, evidência e argumentação sólida para que
se aceite o novo conhecimento. Assim, se você pensa que fantasmas devem existir
por causa das milhares de fotos borradas que circulam pela internet, talvez
seja uma boa ideia refinar seu senso crítico.
Um exemplo interessante de como se pode
testar uma ideia foi o trabalho de Emily Rosa sobre o toque terapêutico,
resumido por Shermer na conferência. O toque terapêutico é uma prática que tem
por base os “chacras” corporais, locais por onde se afirma que nossa energia
flui. Consequentemente, se estamos com dores em algum ponto do corpo, ou temos
outros problemas mais graves, isso se deve à falta de fluxo da energia, que
pode ser resolvida quando um “especialista” posiciona a mão acima do ponto onde
se localiza o chacra, e faz a energia fluir, sem encostar no paciente, como se
fosse uma “massagem à distância”. A ideia foi testada cientificamente por
Emily, uma aluna da quarta série do Ensino Fundamental, através de um
experimento muito bem elaborado, no qual foram submetidos 21 praticantes do
toque terapêutico. Sem qualquer surpresa, os “especialistas” se saíram muito
mal, e a menina, então com 11 anos, teve seu trabalho publicado em um dos mais
importantes jornais da área médica. (clique aqui para saber mais sobre o
experimento de Emily Rosa, e aqui para ver como a menina cresceu, uma
sólida evidência contra qualquer cético que afirme não existir beleza na
ciência)
Shermer citou os trabalhos de Daniel Simons
sobre a cegueira por desatenção (para quem não sabe do que se trata, clique aqui e veja o vídeo original da pesquisa de Simons), de Bruce Hood, sobre a
essência em objetos (você vestiria a camisa que foi usada por um serial killer no dia em
que ele cometeu um crime?), e de Peter Brugger, sobre a influência da dopamina
em nossas percepções sensoriais.
No final de sua apresentação, Shermer
respondeu a questões da platéia sobre religião, educação, Fritjof Capra e o
poder da intuição como forma de adquirir conhecimento. Sobre o último tema, o
conferencista afirmou que não podemos confiar plenamente em nossa intuição,
porque muitas vezes ela está errada, carregada de preconceitos e más concepções
sobre o mundo ao nosso redor.
Em que acreditar, então? Em Cérebro & Crença, Shermer nos
mostra o caminho mais seguro:
“Eu
também acredito que a verdade está lá fora, mas ela raramente é óbvia e quase
nunca é infalível. Aquilo em que quero acreditar com base nas emoções e aquilo
em que devo acreditar com base em evidências nem sempre coincidem. Sou cético
não porque não queira acreditar, mas porque quero saber. Como saber a
diferença entre o que gostaríamos que fosse verdade e o que é de fato verdade?.
A resposta é: ciência. Vivemos na era da ciência, na qual se
espera que as crenças sejam fundamentadas em sólidas evidências e dados
empíricos.”
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Simon Blackburn no Fronteiras do Pensamento
Por
Guilherme
Na
última segunda-feira, dia 20, o Salão de Atos da Reitoria da UFRGS recebeu o
filósofo inglês Simon Blackburn, um dos mais destacados pensadores
contemporâneos. A conferência de Blackburn, chamada “As Grandes Questões da
Filosofia”, abordou temas diversos como o livre-arbítrio, o egoísmo, o bem e o
mal e a importância do ensino da filosofia nas escolas.
Sobre a questão do egoísmo e do
altruísmo, Blackburn afirmou que as pessoas não são tão simples a ponto de
poderem ser consideradas como pertencentes a uma categoria ou a outra. Ao
tratar do tema, Blackburn citou o candidato a vice-presidente do partido
republicano dos EUA, Paul Ryan, e sua paixão pelo trabalho da escritora Ayn
Rand, especialmente A Revolta de Atlas,
uma defesa da busca do interesse próprio e do egoísmo como virtude suprema. Não podemos enxergar as coisas mundanas como
eternas dicotomias, especialmente em áreas como a política e a educação. Um político
defensor da “filosofia” do objetivismo de Rand é sempre uma aposta perigosa.
Boa parte da conferência de Blackburn se
baseou em seu livro Philosophy: the big
questions (Quercus Publishing, 2009), e um dos pontos mais interessantes
tratados por Blackburn foi a questão do livre arbítrio, assunto polêmico que
está na roda de discussões científicas e filosóficas atuais. A tendência
científica é afirmar que não temos o que chamamos tradicionalmente de
livre-arbítrio, mas, para Blackburn, é importante refletir muito mais a
respeito do tema. Para ilustrar a questão de até que ponto somos responsáveis
pelo que fazemos, o filósofo inglês usou um exemplo extraído da antiga
legislação criminal inglesa: se precisamos decidir se um criminoso tem
problemas mentais e, assim, tem sua responsabilidade diminuída ao cometer algum
delito, devemos nos perguntar “ele teria feito isso se houvesse um policial o
observando de perto?”. Se a resposta fosse “sim”, provavelmente o indivíduo em
questão não é tão responsável pelo que faz. Novamente, a questão não é simples,
pois muitas pessoas liquidam o saldo do cartão de crédito mesmo sabendo que a
falência financeira as acompanha de perto.
Falando sobre o bem e o mal, Blackburn
trouxe um jogo de raciocínio clássico: para consideramos algo bom, pensamos que
esse algo é bom por ter valor em si mesmo, ou é bom porque foi determinado por
Deus? Se formos adeptos da primeira opção, podemos seguir um linha moral não
associada à qualquer religião.
O conferencista também tratou de
educação, e afirmou estar feliz por saber que no Brasil a filosofia é uma
matéria escolar (talvez não ficasse muito animado se soubesse como o assunto é tratado nas escolas).
Usando o exemplo de sua própria filha ao falar do necessário estímulo ao
conhecimento que os professores devem dar aos alunos, Blackburn não hesitou: precisamos
estudar as disciplinas técnicas, mas não podemos esquecer da filosofia. A
biologia, a química, a matemática e a física nos fornecem respostas para boa
parte daquilo que buscamos. Para muitos outros assuntos, a filosofia é
indispensável.
domingo, 17 de junho de 2012
Convite para o lançamento de "Tetraedro"
Por Guilherme
Recebi,
do amigo Marcos Kirst, o convite para o lançamento da obra Tetraedro (Maneco, 2012), uma coleção de crônicas escritas por Lúcio
Saretta, Tiago Marcon, Uili Bergamin e o próprio Kirst.
O lançamento com sessão de autógrafos
ocorre no dia 05 de julho, às 19h30, no Aristos London House (térreo do Clube
Juvenil, em Caxias do Sul).
O convite para o lançamento de Tetraedro está, desde já, feito aos
leitores do blog, que podem aproveitar a oportunidade para conhecer e trocar
ideias com importantes escritores da serra gaúcha.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Vandana Shiva no Fronteiras do Pensamento
Por
Guilherme
Na
última segunda-feira, dia 28, a ativista ecológica indiana Vandana Shiva esteve
em Porto Alegre para palestrar no Programa Fronteiras do Pensamento.
Não conhecia as ideias de Shiva antes de
acompanhar a sua conferência, mas algumas de suas posições são bem
interessantes. No início, ela argumentou que a dualidade homem X natureza ainda
continua presente, e a nossa insistência em negar que somos parte da natureza é
uma das causas da negligência humana com o meio ambiente.
Shiva também deixou muito claro que se opõe
ao grande poder que as multinacionais exercem sobre os governos atualmente.
Hoje somos parcialmente governados por políticos, pois boa parte das políticas
públicas é definida por empresas com forte lobby sobre os governos. O exemplo
dado por Shiva foi a atuação da Monsanto na Índia (a empresa atua em vários
países, inclusive o Brasil), que patenteou diversas sementes e variedades de
grãos, aumentou seu poder sobre a produção agrícola naquele país e reduziu o
espaço dos produtores locais que, com poucas opções, acabaram virando reféns de
mercado da Monsanto.
Quando ouvi a argumentação de Shiva
lembrei imediatamente das grandes corporações educacionais e das indústrias de
planos de saúde aqui no Brasil. Hoje, por exemplo, é impossível algum Ministro
da Educação acenar com a hipótese de redução ou limitação no número de alunos
nas salas do Ensino Superior. A explicação é simples: algumas faculdades
acabaram se tornando grupos gigantescos com poderio financeiro enorme, e cujo
alcance político é igualmente assombroso. Se algum Ministro se pronunciar sobre
algo que possa diminuir os ganhos absurdos dessas instituições, como a redução
do número de alunos por turma (que passam de 120, em algumas faculdades), ele
estará fora do governo no dia seguinte. Somos governados por corporações, não
por governos, e sucumbimos aos seus interesses sem perceber isso.
Outro detalhe importante da apresentação
de Shiva foi a sua crítica ao consumismo. Vivemos em um mundo cheio de dinheiro
(mal distribuído, diga-se de passagem), mas que também está cheio de pessoas
infelizes. Nos Estados Unidos, segundo Shiva, é grande o número de pessoas que
recorrem a antidepressivos para conseguir tocar a vida diária. Vale dizer que
esse é o país mais poderoso do planeta, e um dos mais ricos também. A conclusão
parece óbvia, mas é importante discutir como podemos viver de maneira menos
atrelada aos ganhos financeiros e mais ligada a outros valores, como o afeto, a
empatia, a civilidade e a cultura.
Consumo, aliás, é o antigo termo dado à
tuberculose. Do mesmo modo que a tuberculose consumiu a vida de inúmeras
pessoas em séculos passados, nossos hábitos desenfreados de consumo podem acabar
fazendo o mesmo, de outras maneiras.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O Aventureiro no Café Literário
Por
Guilherme
Na
próxima quarta-feira, dia 25 de abril, acontecerá o 27º Café Literário de
Antônio Prado. O convidado para o bate-papo é o jornalista e escritor José
Ferreira da Silva, o caxiense que viajou por 54 países – percorrendo mais de 85
mil quilômetros – com uma lambreta no final da década de 1960. As experiências
da incrível viagem do jornalista estão em seu livro O Aventureiro – a volta ao mundo de lambreta.
Todos
estão convidados para ouvir as histórias de Ferreira e conversar com o autor.
terça-feira, 27 de março de 2012
Café Literário em Antônio Prado
Por Guilherme
A Secretaria de Educação, Cultura e Desporto de Antônio Prado está promovendo a 26a edição do Café Literário, um evento de sucesso que acontece mensalmente no Centro Cultural Padre Schio.
A convidada do Café do mês de março é Maria Helena Balen, escritora e colunista do jornal Pioneiro, que discutirá o tema "Páscoa: tempo de reflexão".
O evento ocorre amanhã, dia 28/03, às 20h, no Centro Cultural Padre Schio em Antônio Prado, e tem entrada franca.
terça-feira, 6 de março de 2012
Fronteiras do Pensamento 2012
Por Guilherme
O projeto Fronteiras do Pensamento tem trazido a Porto Alegre (São Paulo também está incluída no ciclo de palestras deste ano) um grupo considerável de intelectuais de renome mundial para debater diversos temas, como a economia, a educação, a ciência, o meio ambiente e a literatura. No ano passado, tive a felicidade de acompanhar as apresentações do escritor peruano Mario Vargas Llosa e do filósofo americano Daniel Dennett.
No próximo dia 26 de abril, o economista Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em 1998, será o responsável pela palestra inaugural do Fronteiras do Pensamento 2012. Além dele, várias figuras de destaque estarão no salão de atos da UFRGS durante o ano, e destaco duas que admiro há algum tempo: o filósofo inglês Simon Blackburn (falaremos dele em breve aqui no blog), autor de alguns dos mais interessantes livros de divulgação filosófica da atualidade, e o escritor e historiador da ciência Michael Shermer, um americano que tem se destacado na luta contra a superstição e as pseudociências. Shermer é editor da revista Skeptic e também colunista da Scientific American.
Para saber mais sobre o projeto, acesse o site do Fronteiras, clicando aqui. Minha única ressalva é a impossibilidade de se comprar ingressos separados para ver apenas determinadas conferências, o que seria ideal para mim, que não moro em Porto Alegre. Para assistir ao Fronteiras, é necessário adquirir o passaporte que permite acompanhar todas as apresentações.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Café Literário com o Maneco
Por Guilherme
Arcângelo Zorzi Neto, o Maneco, é uma das figuras de maior destaque na cultura da serra gaúcha. Além de ser o fundador de uma das maiores livrarias e editoras do Rio Grande do Sul, Maneco também atua em outras áreas, como o teatro e os programas de rádio.
Maneco estará no próximo Café Literário de Antônio Prado, ocasião na qual falará sobre sua bem-sucedida trajetória como livreiro. O evento ocorre na próxima terça-feira, dia 29 de novembro, às 20h, no Centro Cultural Padre Schio. A entrada é gratuita.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Feira do Livro de Antônio Prado é sucesso
Por Guilherme
No último domingo, dia 23/10, terminou a 10ª Feira do Livro de Antônio Prado, evento já consagrado no calendário do Município e que teve como patrona a Sra. Innocencia Bernardi. A Feira, que é o maior evento cultural de Antônio Prado, levou centenas de pessoas à Praça Garibaldi diariamente. Os visitantes puderam assistir a apresentações teatrais, musicais, e palestras com autores consagrados como Airton Ortiz, André Neves (vencedor do Prêmio Jabuti de 2011, na categoria livro infantil, por Obax), Jane Tutikian (patrona da Feira do Livro de Porto Alegre de 2011) e Mário Pirata, entre outros.
O sucesso da Feira se deve ao trabalho primoroso da Secretaria de Educação e Cultura de Antônio Prado e à participação dos livreiros, artistas, escolas e da comunidade pradense.
Meu desafio, por hora, é dar conta de alguns dos quase trinta livros que compramos durante a Feira.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Feira do Livro em Antônio Prado
Por Guilherme
Entre os dias 16 e 23 de outubro ocorrerá a décima edição da Feira do Livro de Antônio Prado. Além da presença de diversos escritores, a Feira trará outras atrações artísticas, como apresentações musicais e de teatro. O evento acontece na Praça Garibaldi e se estende às escolas do Município, que receberão os escritores convidados para um bate-papo durante o período da Feira.
O evento é organizado pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, conta com o apoio da Secretaria da Saúde e das Livrarias Do Aluno e Mister Ju.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Café Literário em Antônio Prado
Por Guilherme
Na próxima quinta-feira, dia 25, acontecerá mais uma edição do Café Literário no Centro Cultural Padre Schio, em Antônio Prado. O convidado do Café é meu amigo Rodrigo Cambará Printes, biólogo e doutor em ecologia pela UFMG. Rodrigo falará sobre o tema "Patrimônio Natural".
O evento é organizado pela Secretaria de Educação e Cultura de Antônio Prado, em parceria com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente do município, e faz parte da Semana do Patrimônio.
O Café Literário tem início às 19h30 e a entrada é franca.
sábado, 28 de maio de 2011
"A Senha" entre os mais vendidos na feira do livro de Bento Gonçalves
A Feira do Livro de Bento Gonçalves encerrou-se há pouco tempo. Entre as obras mais vendidas na Feira, está A Senha (Editora do Maneco, 2011), que está em sua segunda edição. O livro foi escrito pela co-autora do blog, minha irmã Natália, que também publicou Os Cinco Suspeitos (na quarta edição) pela mesma editora.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Café Literário com Marcos Kirst
Por Guilherme
No dia 28 de abril, às 19h30, ocorrerá uma nova edição do Café Literário de Antônio Prado, no Centro de Cultura Padre Schio. O evento, promovido pela Secretaria Municipal da Educação e Cultura, trará o jornalista e escritor Marcos Kirst para um bate papo sobre a formação de leitores e escritores. O evento é gratuito e aberto a todos os interessados.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Daniel Dennett no Fronteiras do Pensamento
Por Guilherme
O programa Fronteiras do Pensamento trouxe a Porto Alegre, no início dessa semana, o filósofo americano Daniel Dennett. Dennett é um dos maiores discípulos contemporâneos das ideias de Charles Darwin e, junto com Richard Dawkins, o maior crítico do papel das religiões organizadas no mundo.
O programa Fronteiras do Pensamento trouxe a Porto Alegre, no início dessa semana, o filósofo americano Daniel Dennett. Dennett é um dos maiores discípulos contemporâneos das ideias de Charles Darwin e, junto com Richard Dawkins, o maior crítico do papel das religiões organizadas no mundo.
Dennett começou sua carreira acadêmica estudando assuntos ligados à origem da consciência humana. Seu conhecimento das ideias evolucionistas de Darwin fez com que ele unisse esses dois campos do conhecimento, propondo teorias a respeito de como a seleção natural moldou nossa estrutura cerebral e nos permitiu possuir essa característica tão distinta que é a consciência. Esse foi, em linhas gerais, o assunto apresentado pelo filósofo no Fronteiras do Pensamento.
Conheço as ideias de Dennett desde a época de minha graduação, quando li A Perigosa Ideia de Darwin (Rocco, 1998), e me surpreendi com o enorme conhecimento do autor sobre evolução, apesar de ele não ser biólogo. Nesse livro, o americano explica os mecanismos que possibilitam aos seres vivos evoluírem (modificarem-se ao longo do tempo) e quais são as implicações do conhecimento da evolução em campos como a ética e a psicologia. Um dos conceitos mais interessantes da obra, e que também foi abordado por Dennett em sua palestra, é a ideia dos memes. Um meme é uma espécie de gene cultural, ou seja, uma ideia, palavra, música ou conceito que se espalha pela população através da cultura e, como ocorre com os genes, também está sujeito à seleção. Boas ideias, assim como bons genes, permanecem por um bom tempo, e é por isso que ainda hoje lemos Shakespeare e os filósofos gregos. Apesar disso, ideias e conceitos não tão bons assim também podem perdurar por nos atingirem da mesma maneira que um vírus, subitamente e sem que sejam notadas. Isso explica por que letras de músicas “grudentas” costumam fazer algum sucesso.
O último livro de Dennett lançado no Brasil, Quebrando o Encanto (Globo, 2006), trata de um tema bastante espinhoso: o surgimento, a evolução e a fixação de ideias religiosas nas pessoas, e o posterior surgimento das religiões organizadas. De acordo com o filósofo, a religião também é um meme que passou pelo teste do tempo e hoje pode ser encontrada em todas as culturas do planeta. O autor critica o fundamentalismo religioso, que foi a causa de tragédias como a de 11 de setembro de 2001 em Nova York, e convoca os moderados a discutirem internamente de que modo isso pode ser solucionado. Apesar de sua postura crítica e do ateísmo confesso, Dennett é bastante respeitado por autoridades religiosas pela sua seriedade e pelo tom moderado de suas opiniões.
Tenho em Dennett um grande herói intelectual. A Perigosa Ideia de Darwin é um dos livros mais interessantes que li, e o recomendo àqueles que queiram conhecer melhor os mecanismos evolutivos. O conhecimento que ele demonstra ao falar sobre evolução e a clareza de seus escritos são impressionantes, a ponto de alguns o considerarem o “novo Darwin” (o que se justifica também pela aparência de Dennett, calvo e com uma grande barba branca, como a do evolucionista inglês). O autor mantém um site, através do qual podemos acessar alguns de seus textos, sejam artigos científicos ou de jornal. Fazer uma visita ao site de Dennett e ler seus escritos é a melhor maneira de entrar em contato com as ideias de um dos mais influentes pensadores da atualidade.
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