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terça-feira, 26 de março de 2013

A História das Coisas


Na década de 1960, o biólogo Paul Ehrlich alertava sobre a necessidade de planejar o crescimento da população humana. Segundo ele, o planeta chegaria ao colapso através do que ele denominou de a “bomba populacional”, ou seja, de um número de habitantes cuja manutenção é incompatível com a disponibilidade de recursos de nosso planeta. A previsão de Ehrlich se mostrou equivocada, embora a base de sua argumentação ainda seja válida: o planeta não pode suportar um consumo de recursos maior, e mais veloz, do que a sua capacidade de reposição. E esse é um problema considerado seriamente nos dias atuais.
   Se todos os países do mundo tivessem um padrão de consumo semelhante ao dos Estados Unidos, um planeta Terra não seria o suficiente para manter uma população do tamanho da atual, com cerca de 7 bilhões de pessoas. Mais do que o número de habitantes, a preocupação de ambientalistas e de estudiosos de ecologia tem sido o aumento no padrão de consumo em todo o mundo, especialmente nos chamados países em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia e a China.
   O aumento no consumo de um país é consequência, obviamente, do aumento do uso de recursos por cada cidadão. Assim, quando a população passa a comprar mais e a usar mais recursos, além dos sempre citados aspectos econômicos positivos, cria-se uma série de potenciais problemas socioambientais: de onde vem e para aonde vai tudo aquilo que compramos? Ao nos preocuparmos com a origem dos produtos que consumimos, estando pensando nas pessoas que o produziram (e em que condições trabalharam), na matéria-prima que foi utilizada (e como foi extraída) e no processo de produção e distribuição (quanta energia utilizou e de que maneira impactou o ambiente). Em relação ao destino dos produtos que compramos, é importante pensarmos o que será feito com eles depois que não estiverem mais em uso.
   Para conhecer como boa parte daquilo que compramos é produzida, e o que acontece com ela depois do consumo, uma leitura bastante interessante é A História das Coisas: da natureza ao lixo, o que acontece com tudo o que consumimos, de Annie Leonard (Editora Zahar, 2011). Ao dividir a obra em cinco capítulos (Extração, Produção, Distribuição, Consumo e Descarte), a autora faz um panorama geral do processo de produção dos bens de consumo mais comuns em nossa vida cotidiana, como latas de alumínio, camisas de algodão e aparelhos de televisão, e avalia toda a cadeia de impacto ambiental causada por eles.
   A História das Coisas é um livro muito importante por nos deixar a par da cadeia de eventos a qual nos juntamos quando compramos algo. Como afirma a autora, o grande problema de toda essa história está no consumismo, na compra desenfreada e irrefletida de produtos supérfluos ou desnecessários. Se a melhor abordagem para resolução de um problema é ter muitas informações a respeito dele, a leitura de A História das Coisas deve ser um bom começo para todos nós.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Para conhecer as questões ambientais

Por Guilherme

A Semana do Meio Ambiente passou, a Rio +20 se aproxima, e ambas são boas oportunidades para se discutir o que tem ocorrido com o meio ambiente e as perspectivas para a vida em nosso planeta nos próximos anos. Para isso, nada melhor do que estar munido com boa literatura sobre o assunto. Abaixo, algumas indicações de livros importantes para quem se interessa em saber um pouco mais sobre a temática ambiental.

Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso, de Jared Diamond

Jared Diamond é um dos maiores intelectuais vivos, e sua obra abrange assuntos tão diversos quanto a fisiologia animal e a geografia. Em Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso (Record, 2005 – com uma edição revista e ampliada em 2011), Diamond apresenta os caminhos que levam uma civilização à extinção, e o mau uso de recursos naturais se destaca por ser um fato comum para muitas civilizações antigas que colapsaram. Colapso fecha uma trilogia informal de Diamond, que começou com O Terceiro Chimpanzé (uma grande obra sobre a evolução de nossa espécie) e passou por Armas, Germes e Aço (um estudo sobre como as sociedades evoluíram). Dos três, Colapso é, sem dúvida, meu livro favorito.

A Criação: como salvar a vida na Terra, de Edward O. Wilson

Ciência e religião discordam em todos os aspectos referentes às origens do mundo e dos seres vivos, e da evolução da vida. De acordo com Wilson, as duas não devem ter nenhuma divergência sobre o cuidado com o nosso planeta e a garantia de um futuro tranquilo para a nossa espécie. Escrito em forma de uma carta dirigida a um pastor, A Criação: como salvar a vida na Terra (Companhia das Letras, 2008) minimiza as divergências entre as visões científicas e religiosas da vida e reconhece que somente a união de forças fará com que possamos reduzir a degradação ambiental.

A História Das Coisas: da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos, de Annie Leonard

Poucos de nós sabem como as coisas que compramos são feitas, e o que acontece com elas depois de descartadas. O impacto do consumo desenfreado tem sido relacionado com a degradação ambiental há décadas, mas poucos livros são tão bem documentados e organizados como A História das Coisas (Jorge Zahar, 2011), de Annie Leonard, obra que, além de mostrar os efeitos do consumismo humano no meio ambiente, também aponta soluções para que a situação não se agrave em um futuro próximo.
OBS: o vídeo que originou o livro, The Story of Stuff, está disponível no Youtube. Para assisti-lo, clique aqui.

O Mundo Sem Nós, de Alan Weisman

O que aconteceria se, de uma hora para outra, a espécie humana desaparecesse do planeta? Uma tentativa de responder a essa pergunta foi feita pelo jornalista Alan Weisman em O Mundo Sem Nós (Planeta, 2007), um trabalho especulativo bastante interessante que mostra, essencialmente, o nosso impacto na natureza. Imaginar que uma cidade gigante, como Nova York, poderia colapsar dentro de poucos anos sem a interferência humana nos dá um indicativo do quanto poderosos somos.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Vandana Shiva no Fronteiras do Pensamento

Por Guilherme

Na última segunda-feira, dia 28, a ativista ecológica indiana Vandana Shiva esteve em Porto Alegre para palestrar no Programa Fronteiras do Pensamento.
    Não conhecia as ideias de Shiva antes de acompanhar a sua conferência, mas algumas de suas posições são bem interessantes. No início, ela argumentou que a dualidade homem X natureza ainda continua presente, e a nossa insistência em negar que somos parte da natureza é uma das causas da negligência humana com o meio ambiente.
    Shiva também deixou muito claro que se opõe ao grande poder que as multinacionais exercem sobre os governos atualmente. Hoje somos parcialmente governados por políticos, pois boa parte das políticas públicas é definida por empresas com forte lobby sobre os governos. O exemplo dado por Shiva foi a atuação da Monsanto na Índia (a empresa atua em vários países, inclusive o Brasil), que patenteou diversas sementes e variedades de grãos, aumentou seu poder sobre a produção agrícola naquele país e reduziu o espaço dos produtores locais que, com poucas opções, acabaram virando reféns de mercado da Monsanto.
    Quando ouvi a argumentação de Shiva lembrei imediatamente das grandes corporações educacionais e das indústrias de planos de saúde aqui no Brasil. Hoje, por exemplo, é impossível algum Ministro da Educação acenar com a hipótese de redução ou limitação no número de alunos nas salas do Ensino Superior. A explicação é simples: algumas faculdades acabaram se tornando grupos gigantescos com poderio financeiro enorme, e cujo alcance político é igualmente assombroso. Se algum Ministro se pronunciar sobre algo que possa diminuir os ganhos absurdos dessas instituições, como a redução do número de alunos por turma (que passam de 120, em algumas faculdades), ele estará fora do governo no dia seguinte. Somos governados por corporações, não por governos, e sucumbimos aos seus interesses sem perceber isso.
    Outro detalhe importante da apresentação de Shiva foi a sua crítica ao consumismo. Vivemos em um mundo cheio de dinheiro (mal distribuído, diga-se de passagem), mas que também está cheio de pessoas infelizes. Nos Estados Unidos, segundo Shiva, é grande o número de pessoas que recorrem a antidepressivos para conseguir tocar a vida diária. Vale dizer que esse é o país mais poderoso do planeta, e um dos mais ricos também. A conclusão parece óbvia, mas é importante discutir como podemos viver de maneira menos atrelada aos ganhos financeiros e mais ligada a outros valores, como o afeto, a empatia, a civilidade e a cultura.
    Consumo, aliás, é o antigo termo dado à tuberculose. Do mesmo modo que a tuberculose consumiu a vida de inúmeras pessoas em séculos passados, nossos hábitos desenfreados de consumo podem acabar fazendo o mesmo, de outras maneiras.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Os bichos, os livros e eu

Por Guilherme

Comprei no ano passado um livro extraordinário sobre animais, Animal Life (DK, 2008), de Charlotte Uhlenbroek. Animal Life é um guia visual sobre o comportamento animal e sobre a enorme variedade de espécies que dividem o planeta conosco, e é uma leitura mais do que recomendada para quem gosta de aprender sobre a vida dos animais.
      Há poucos dias, tirei esse livro da estante e comecei a folheá-lo aleatoriamente. Enquanto observava as fotos, me peguei pensando naqueles que foram o primeiro grande interesse da minha vida, os animais. Desde pequeno, sempre fui fascinado por bichos. Nas viagens de carro, era comum meus pais pararem o carro para que eu pudesse olhar um rebanho de vacas pastando placidamente em algum campo. Quando visitava minha avó em Veranópolis, uma atividade sagrada era pegar alguns ramos de funcho e ir até o antigo seminário para alimentar as cabras e ovelhas que ficavam por lá. Eu ficava completamente fascinado ao dar funcho aos bichos, que eram mais altos que eu na época, e comiam até o saco de papel no qual eu colocava o alimento deles. A jornada ficava completa, para mim, quando íamos depois ao clube de caça e pesca, onde eu caminhava ao redor do lago e jogava pão aos patos e gansos que nadavam por lá.
      Minha admiração pela vida animal me conduziu a outra paixão: os livros. Era Natal e eu devia ter em torno de uns 8 anos de idade. Meu pai pegou a filmadora e começou a registrar o pessoal da família abrindo os presentes, animado, na sala da casa da minha avó em Veranópolis. A câmera me enquadrou, sentado no sofá, com as pernas que sequer chegavam perto de tocar o chão, segurando um grande pacote no colo, e muito curioso. Comecei a abrir o pacote e vi uma caixa de papelão, na qual estava escrito “Os Bichos”. Eu abri um pouco a caixa e percebi que “Os Bichos”, na verdade, era uma coleção de livros sobre animais. Imediatamente olhei para a câmera e gritei: “Mãe, olha! Os bichos! Os bichos!” A memória muitas vezes nos prega peças, mas eu não hesitaria em dizer que foi um dos momentos de maior euforia na minha vida. Uma coleção de livros sobre animais, o que mais uma criança fascinada pelo assunto poderia querer?
      Meu interesse pelos animais e pela leitura segue até hoje, firme e forte, e um foi impulsionado pelo outro, como em um ciclo de retroalimentação. Depois de guardar o livro de Uhlenbroek na estante, fiquei satisfeito por ter tido uma infância bastante rica em estímulos à minha curiosidade. Além de poder ver e interagir com animais em inúmeras ocasiões, também tinha acesso a livros sobre eles (e com seis ou sete anos de idade já sabia dos hábitos de animais como o babirusa, o gnu e o guepardo em detalhes). O acesso e interesse pelos livros também se expandiram, e uma das consequências disso pode ser vista neste blog, nos livros sobre os quais comento.
      No entanto, ao sentimento de satisfação pela influência dos animais e dos livros em minha vida se seguiu um lamento. Quantas crianças podem, hoje, ter uma infância realmente interessante, cheia de estímulos ao intelecto? Vejo adultos pouco interessados em qualquer coisa que não seja seu trabalho ou dinheiro, que não têm curiosidade em conhecer nada além do que recebem passivamente pela TV, e que sequer fazem questão de conhecer. Seus filhos, salvo milagre, crescerão de maneira parecida. É uma pena que muitas crianças crescerão sem ter algo como “Os Bichos” por perto.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pirsig, mais uma vez

Por Guilherme

Minha irmã já me pediu se o único livro que li na vida foi Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas, de Robert Pirsig, tantas são as vezes que cito o livro ou discuto alguns de seus temas para quem tem paciência de escutá-los.
      Postei recentemente um pequeno texto no blog do Professor Daniel Blumstein a respeito de uma das passagens mais interessantes da obra, que fala da armadilha indiana para capturar macacos, e o que essa metáfora pode nos ensinar, nesse caso sobre o meio ambiente e a extração de recursos de nosso planeta. O texto no blog de Blumstein pode ser acessado aqui.
O post sobre o assunto aqui em nosso blog pode ser lido aqui.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ótimas leituras para o final de semana

Por Guilherme

- Gilmar Marcílio escreveu Lições Para Viver Mal, um texto no qual descreve um homem rico que parece não aproveitar da boa condição financeira para viver mais agradavelmente. O texto traduz perfeitamente como são e como pensam alguns dos cidadãos da serra gaúcha. Não me lembro de outro texto com uma caracterização tão precisa de nosso povo. Apesar de Marcílio se referir a um cidadão em especial, tomo a coragem de dizer que são milhares deles espalhados por aí. O texto pode ser lido aqui.

- Marcos Kirst publicou no jornal Pioneiro de hoje, dia 25/11, um texto muito interessante sobre mudança individual, responsabilidade, e a lei que proíbe a ingestão de bebidas alcoolicas antes de alguém conduzir um veículo. Rumo à Civilização é o título do artigo de Kirst, e é por esse caminho que precisamos andar, com urgência. O texto pode ser lido aqui.

- Falando em civilização (ou da falta dela), Daniel Blumstein discute uma notícia bizarra: uma mulher utilizou spray de pimenta contra outros consumidores em uma loja americana porque queria chegar mais rápido aos produtos, espantar os “concorrentes”, e conseguir aproveitar as promoções da chamada Black Friday. Resultado da brincadeira: 20 pessoas com dor de garganta e irritação na pele e nos olhos. Perdemos nosso compasso moral, diz Blumstein, e ele está cheio de razão. O texto (em inglês) pode ser lido aqui.

- Luciano Mallmann, em seu blog Contemplações; Improvisos, traz várias passagens de Literatura em Perigo, obra de Tzvetan Todorov sobre os livros. As citações são muito interessantes, e nos mostram que os livros têm um grande poder de mudar as pessoas. O texto pode ser lido aqui.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Criando memórias na natureza

Por Guilherme

Postei ontem um novo texto no blog do Professor Daniel Blumstein. O post trata das memórias que a paisagem natural cria nas pessoas, e como é importante mantê-la para nosso próprio bem-estar.

O texto está disponível (em inglês) aqui.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A contagem para o apocalipse

Por Guilherme

Está prevista para o final do mês de outubro a virada do próximo bilhão na população humana. Ao final de 2011, seremos mais de 7 bilhões de seres humanos na Terra, e esse número chegará, de acordo com previsões otimistas, a 9 bilhões em 2050. As piores previsões indicam que poderemos ser mais de 12 bilhões daqui a 40 anos, o que configuraria uma verdadeira tragédia.
      É possível acompanhar as estimativas do número de habitantes do planeta em tempo real. Podemos assistir ao desenrolar da tragédia (como já escreveu Roger Waters) em tempo real através do site US & World Population Clocks. É interessante acessar o site para ver quantas pessoas vivem na Terra atualmente, e a cada atualização da página o número aumenta em algumas dezenas, ou centenas, de pessoas.
      Tenho lido muito sobre o crescimento populacional humano, e não encontrei sequer UM bom argumento favorável ao aumento de nossa população além do número atual. Ao contrário, todas as grandes mentes que estudam essa questão são unânimes em afirmar que devemos incentivar programas de planejamento familiar eficientes, para que as famílias se organizem de maneira sustentável, e que os pais tenham tempo e recursos suficientes para investir em seus filhos. Em resumo, devemos priorizar a qualidade de vida das pessoas em detrimento da quantidade. É melhor que existam menos indivíduos com boa qualidade de vida do que mais pessoas vivendo em condições deploráveis. Parece simples, mas basta ler alguns dos textos dos links abaixo para ver como na prática isso não é fácil.

Textos de Drauzio Varella sobre planejamento familiar, paternidade irresponsável, e as suas consequências.

Texto do antropólogo americano Garrett Hardin sobre a questão da qualidade de vida X quantidade de habitantes.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Eating our way to civility

Por Guilherme

Tive a satisfação de encontrar o biólogo, e professor da UCLA, Daniel Blumstein em um congresso sobre comportamento animal realizado em Montevidéu nesse ano. Conhecia Blumstein através de alguns de seus artigos e sabia que ele havia sido o editor da mais importante revista científica sobre comportamento animal do mundo, a Animal Behavior.
        Nos intervalos entre as palestras e conferências, pude trocar algumas ideias com o Professor Blumstein a respeito de comportamento animal, meio ambiente, educação ambiental e a situação da educação nos EUA e no Brasil. Li seu The Failure of Environmental Education (escrito em parceria com Charles Sayan) e fiquei feliz por saber que Blumstein é um cientista como poucos, um cara que trabalha e se esforça para que ocorram melhorias ambientais e educacionais na sociedade americana, e que procura, com suas pesquisas, enfrentar problemas da vida real.
        No final do congresso de Montevidéu, Blumstein me convidou para escrever algumas coisas para seu blog Eating our way to civility, que trata de temas ambientais e educacionais (e culinários!). E, honrado com o convite, mandei meu primeiro texto para seu blog. Quem quiser conferir, clique aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Campanha de recolhimento de equipamentos de informática e telefonia em Antônio Prado

Por Guilherme

O Sistema Fecomércio do Rio Grande do Sul está realizando uma campanha por todo o Estado para a coleta de equipamentos de informática e telefonia pós-consumo. Em Antônio Prado, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, e a CIC são os parceiros na campanha, que visa dar um destino correto a equipamentos como monitores, computadores, telefones celulares e impressoras, entre outros, após esses aparelhos terem sido utilizados. Sabe-se que equipamentos eletrônicos apresentam uma grande carga de materiais potencialmente danosos ao meio ambiente, e por isso devemos ter cuidado ao descartá-los.

Em Antônio Prado, os equipamentos estão sendo recolhidos na sala da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente até o dia 30 de setembro. Os resíduos coletados são: CPUs completas, monitores, teclados, mouses, impressoras, notebooks, estabilizadores, no breaks, telefones celulares, suas baterias e carregadores, telefones sem fio, cabos, terminais, centrais telefônicas, placas de rede, placas-mãe, placas de vídeo, placas de som, placas de fax, modems, e decodificadores.

Mais informações sobre a campanha podem ser obtidas no site do Sistema Fecomércio.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vivendo sustentavelmente


Por Guilherme

Uma das palavras mais ouvidas na atualidade é “sustentabilidade”. Em termos gerais, o conceito de sustentabilidade diz respeito ao uso dos recursos naturais de maneira inteligente e equilibrada, para que as necessidades da geração atual sejam atendidas, ao mesmo tempo em que sejam assegurados os recursos necessários para a manutenção das futuras gerações.
        O principal problema com o conceito de sustentabilidade é o que entendemos por “necessidade”. Quais são realmente as nossas necessidades materiais? Será que realmente precisamos consumir tanto quanto temos feito atualmente? Será que a quantidade enorme de matéria-prima que usamos na produção de combustíveis, plásticos, e outros bens, permitirá que as pessoas que vierem depois de nós utilizem esses produtos? Ou nosso consumo atual, desenfreado, está condenando a natureza e a própria vida humana daqui a algumas décadas?
        O conhecimento de que é necessário ter bom senso em relação ao uso de recursos naturais deve ser transformado em ações concretas. Em nosso dia-a-dia costumamos agir de modo “automático”, sempre fazendo as mesmas coisas e não pensando muito sobre elas. E é isso que precisamos mudar. Uma simples ida ao supermercado pode fazer a diferença, se optarmos por produtos com menos embalagens, olharmos a sua procedência, evitarmos aquilo que não precisamos, e levarmos nossas compras para casa com uma sacola de pano. Do mesmo modo, devemos estar atentos ao consumo de energia em nossas residências, deixando as luzes desligadas quando não precisamos delas, e prestando atenção ao uso de outros equipamentos que consomem energia, como chuveiros e máquinas de lavar.
        Consumir conscientemente não significa ter que reduzir nossa qualidade de vida. Significa repensar algumas de nossas atitudes com o objetivo de reduzir o impacto de causamos ao ambiente, em nosso próprio benefício, e em nome daqueles que estão por vir.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O mais selvagem dos animais

Por Guilherme

Recentemente, o governo australiano oficializou a proibição da venda de gado para a Indonésia, devido ao tratamento extremamente cruel dispensado aos animais nesse país. Um programa de TV australiano obteve gravações de vídeo que mostram as atrocidades cometidas em abatedouros no país asiático. Depois da exibição das imagens, uma onda de protestos pressionou o governo australiano a tomar uma atitude em relação ao problema, e a solução imediata foi suspender a exportação de animais para a Indonésia.
        A preocupação com o sofrimento animal ganhou maior força com as ideias de um australiano, o filósofo Peter Singer, na década de 1970. Já discutimos aqui no blog o livro Libertação Animal, considerado um marco na defesa da vida dos animais não-humanos. A argumentação de Singer é bastante semelhante à usada por seus conterrâneos para justificar a quebra de comércio bovino com a Indonésia. Singer considera que qualquer ser que possa sentir dor deva ser respeitado, independentemente da espécie a qual pertence. Assim, é condenável infligir dor aos animais de corte porque eles são sensíveis a ela e, como acontece conosco também, é de interesse deles viver sem sofrer. Apesar disso, o filósofo argumenta que a morte de um animal não-humano que não tem autoconsciência não é algo tão terrível quanto a morte de uma pessoa. O sofrimento, na ideia do filósofo, é o maior problema. E, como os animais de corte geralmente levam uma vida cheia de tormentos, desde o nascimento até o abate, a dieta vegetariana deveria ser adotada por quem se preocupa com o bem-estar desses animais.
        Uma abordagem diferente sobre a questão do sofrimento animal é a do filósofo galês Mark Rowlands, outro autor já citado algumas vezes aqui. Rowlands modifica a ideia de John Rawls sobre a posição original para argumentar que devemos ter mais consideração pela vida de outros seres. Imagine que você passasse toda a sua vida em um cubículo no qual seu corpo mal cabe e ainda você divide o lugar com outros indivíduos. Durante sua vida você acaba se machucando muito pois não consegue sequer ficar de pé por vários minutos seguidos e briga constantemente com os outros confinados devido ao estresse da convivência. Sua vida fica assim, até o final. Certamente, esse sofrimento perpétuo não é desejado por você, nem por ninguém. E por que, então, é aceitável para aves, como galinhas, ou porcos? Alguns dizem que se pode manter os animais nessas condições porque eles não são humanos, e não temos nenhuma obrigação moral com eles. Mas, e se você estivesse no lugar deles?
        Espero que o aumento da consciência em relação à vida dos animais não-humanos seja um caminho sem volta. Estamos no século XXI, e não podemos, de modo algum, tolerar barbáries contra qualquer espécie animal. Em breve, torço para que situações como a mostrada na reportagem da TV australiana (clique aqui para ver, se tiver coragem) sirvam somente como exemplo, para as futuras gerações, de quão selvagens nós já fomos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cuidar bem da própria vida é o primeiro passo para conservar o ambiente

Por Guilherme


Nunca a temática ambiental esteve tanto em discussão como nos últimos anos. Assuntos como o aquecimento global, a poluição das águas e do ar, e o desaparecimento de espécies podem ser encontrados diariamente em qualquer meio de comunicação. E, se esses temas estão em destaque, é porque os seres humanos continuam absolutamente relapsos em relação ao meio ambiente.
        Na verdade, creio que os problemas ambientais se originam porque as pessoas não costumam prestar a atenção devida nem às suas próprias vidas. Poucos se dão ao trabalho de refletir sobre suas condutas diárias e sobre o que têm feito para viver melhor. E se alguém vive sem dar importância sequer à sua vida e ao que ocorre ao seu redor, não devemos esperar que esse indivíduo tenha qualquer grau de consciência ecológica. Há um pensamento do escritor americano Robert Pirsig, em seu romance Zen e Arte da Manutenção de Motocicletas, que diz algo nesse sentido. Durante uma conversa com seu filho, sobre como levar uma vida feliz e organizada, o protagonista aconselha: “Você, além disso, precisa levar uma vida ordenada. É sua maneira de viver que o predispõe a evitar as ciladas e a observar os fatos certos. Você quer saber como se pinta um quadro perfeito? É fácil. Seja perfeito, e depois pinte, naturalmente. É assim que fazem os especialistas. Pintar um quadro ou consertar uma motocicleta não são atividades isoladas do resto de sua vida.” Cuidar do ambiente a nossa volta também não é uma atividade isolada do resto de nossas vidas, e o modo como fazemos isso nos diz tudo sobre que tipo de pessoas somos.
        Respeitar o meio ambiente é, antes de tudo, saber cuidar de si mesmo. A partir do momento em que alguém realmente reflete sobre o modo como vive, atitudes como a de jogar um papel ou quebrar uma garrafa na rua se tornam inaceitáveis. Assim, no interior de cada pessoa está o caminho para a mudança. Pirsig também escreveu sobre isso: “Para melhorar o mundo, devemos começar pelo nosso coração, nossa cabeça e nossas mãos, e depois partir para o exterior.”

OBS: parece repetitivo postar novamente algo sobre as lições de Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas. No entanto, o desrespeito entre as pessoas e delas com meio ambiente é algo que, de tão repetitivo, se tornou banal. No momento em que aceitarmos que cada indivíduo pode viver de qualquer jeito, e não exigirmos nada das pessoas, poderemos mudar o modo como nos denominamos. Humanidade, desse jeito, não servirá mais para nós.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Comprar, descartar, comprar...

Por Guilherme

Você já se perguntou porque a sua impressora ou celular quebram em pouco tempo? Muita gente desconfia que esses produtos, e outros eletrônicos, têm sua vida útil reduzida para que os consumidores se obriguem a trocar os aparelhos com defeito por novos. Até agora, ninguém tinha abordado a questão com propriedade, mas a emissora espanhola RTVE decidiu mexer na ferida. Seu documentário Obsolescencia programada ou Comprar, tirar, comprar mostra porque, na visão empresarial, "um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios".

Documentário completo

O documentário também pode ser visto na página da RTVE, com informações adicionais.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Péssima notícia: população humana é de quase 7 bilhões

Por Guilherme

A edição de janeiro da National Geographic brasileira traz uma reportagem interessante e, ao mesmo tempo, extremamente preocupante. De acordo com a matéria, a população mundial chegará aos 7 bilhões de pessoas em 2011. As consequências disso são há muito discutidas, e exemplos recentes dos impactos de um mundo superpopuloso são mostrados na National. A reportagem está disponível no site da revista, e você pode acessá-la aqui.
Para quem quiser acompanhar o crescimento populacional humano em tempo real, vale a pena acessar o site US & World Population Clock, onde é possível ver um relógio com a estimativa da população dos Estados Unidos e do mundo. A cada atualização da página, o número aumenta. A pergunta, bastante pertinente, feita pela National Geographic é: o planeta vai conseguir sustentar tanta gente?

sábado, 30 de outubro de 2010

Em breve, não haverá tigres na natureza. E daí?

Por Guilherme

      Foi publicada, há poucos dias, uma notícia dando conta do possível desaparecimento de tigres em seu ambiente natural até 2022 (leia a notícia aqui). De acordo com a WWF, uma das mais importantes organizações não governamentais do planeta, existem aproximadamente 3200 desses animais soltos na natureza, e esse número declina a cada ano. Planos para salvar a espécie já estão em andamento, mas não se pode ter certeza de que funcionarão, já que esses felinos são visados por sua pele e por seus ossos, que possuiriam supostas propriedades medicinais (nunca comprovadas). Algumas pessoas, ao lerem a notícia, poderão se perguntar: “E daí? Minha vida não vai mudar nada com isso.” É verdade: a extinção dos tigres não vai alterar o cotidiano de quase ninguém. Mas sempre que vejo uma notícia como essa, lembro daquilo que o biólogo Edward O. Wilson escreveu em A Criação: como salvar a vida na Terra (Companhia das Letras, 2006):

“É possível que nunca cheguemos a avistar pessoalmente certos animais raros – podemos lembrar o lobo, o pica-pau-bico-de-marfim, o panda, gorila, a lula-gigante, o grande tubarão-branco, o urso-pardo –, mas precisamos deles como símbolos. Eles proclamam o mistério do mundo. São as joias da coroa da criação. Só saber que eles existem em algum lugar, estão vivos e passam bem é importante para o espírito, para que nossa vida seja inteira. Se eles vivem, então a Natureza também vive. Com certeza nosso mundo estará em segurança, e nós estaremos numa situação melhor. Imagine o choque dessa manchete: ABATIDO O ÚLTIMO TIGRE – A ESPÉCIE ESTÁ EXTINTA.”

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Do que realmente necessitamos?

Por Guilherme

O trecho a seguir foi retirado do livro Conservar e Criar: natureza, cultura e complexidade (Editora Senac São Paulo, 2005), da bióloga e socióloga Rita Mendonça. Gostaria que suas palavras ecoassem em uma sociedade na qual o consumo parece ter se tornado um valor maior do que a ética e o bom senso.

"Cada cultura define para si o que é necessidade e o que é conforto. A cultura urbana e industrial, ou seja, a cultura do consumo, definiu uma necessidade um pouco diferente da dos outros povos: a necessidade de criar necessidades."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O patrimônio natural da serra gaúcha

Por Guilherme

Os patrímônios cultural e gastronômico da serra gáucha são bem conhecidos por todos e, frequentemente, motivo para reportagens na televisão ou em jornais. Menos divulgado, mas não menos importante, é nosso patrimônio natural. Mesmo entre os habitantes da região, não são muitas as pessoas que tiveram a oportunidade de encontar animais como bugios, graxains, veados, seriemas e tucanos em seus ambientes naturais. E, a julgar pelo que estamos fazendo com eles, será cada vez mais raro vê-los livres na natureza.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Estamos todos no mesmo barco

Por Guilherme

            Há algumas décadas, os problemas ambientais eram discutidos e tratados em pequena escala. Por exemplo, um rio poluído era motivo de preocupação para as pessoas que moravam próximas a ele ou que se abasteciam de sua água. Atualmente, a situação é outra. Danos ambientais locais estão se transformando em problemas globais, afetando áreas bastante distantes daquelas que são as fontes dos problemas. Isso fica evidente quando vemos que o extremo norte da Terra, que não possui polos industriais, é uma das áreas mais afetadas pelo aquecimento global.
            Degelo nos polos, enchentes na Ásia, furacões nos Estados Unidos, secas em diversos países africanos e expansão de doenças tropicais para locais onde anteriormente não havia registros delas são alguns dos desastres ambientais atribuídos ao aquecimento de nosso planeta. Curiosamente, discutimos com detalhe problemas ocorridos em outros países, mas pouco sabemos sobre o que ocorre aqui no Brasil. E, em um mundo de problemas globalizados, o panorama para nosso país e para o Rio Grande do Sul também é preocupante.
            Uma reportagem recente publicada no site do jornal Zero Hora (http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&newsID=a3055531.xml&channel=13&tipo=1&section=Geral) informa que os mesmos efeitos vistos em outros locais do planeta já estão sendo e serão ainda mais sentidos no RS. Entre as situações previstas estão um aumento de até 4ºC na temperatura média até 2050 e a ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos, como vendavais, secas e enchentes, além da proliferação de doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue.
            Apesar da divulgação dessas informações e do potencial perigo que se aproxima, não temos nos esforçado para fazer qualquer coisa que possa realmente atenuar esses problemas. A maior parte das campanhas das quais ouvimos falar é baseada no voluntarismo (“dia sem carro”, “economize água e energia em sua casa”, etc), o que, ainda que seja parte da solução, é parte do problema também. Campanhas que incentivam a mudança de conduta individual são muito importantes e devem ser realizadas sempre, mas podem passar a impressão de que esse esforço é suficiente para mudar o mundo. Condutas ecológicas corretas devem durar uma vida, não um dia ou uma semana. Além disso, quantas pessoas que ficaram um dia sem carro em favor do planeta procuraram se informar a respeito das ideias de seus candidatos sobre meio ambiente, energia e transporte? E sobre planejamento familiar? Infelizmente, até que essas questões maiores não sejam debatidas com seriedade, continuaremos a agir paliativamente. Isso não significa, de maneira alguma, que devamos desistir de fazer aquilo que chamamos de “nossa parte”: economizar energia e água, separar o lixo, consumir menos, informar as outras pessoas sobre essas práticas, etc. Isso significa que “fazer a nossa parte” é algo que vai além disso e envolve também nossas escolhas políticas.